A Prefeitura de Campo Grande garante que a intervenção no Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo urbano da Capital, não vai provocar mudanças nas linhas de ônibus nem interromper o atendimento aos passageiros. A medida, considerada inédita no município, foi decretada nesta terça-feira (16) e tem como objetivo buscar soluções para os problemas enfrentados pelo sistema.

A prefeita Adriane Lopes (PP) afirmou que a decisão foi tomada após cerca de seis meses de trabalho técnico realizado pela administração municipal, com levantamento de informações e análises necessárias para definir os próximos passos.

“É uma decisão difícil de ser tomada, mas muito importante. É a primeira vez que acontece uma intervenção no transporte público de Campo Grande”, afirmou a prefeita.

Segundo Adriane, a prefeitura recebe diariamente cobranças da população por melhorias no transporte coletivo e a intervenção representa uma tentativa de reorganizar o serviço e garantir mais qualidade aos usuários.

O processo terá prazo de até 180 dias, mas a administração municipal avalia que a medida pode ser encerrada antes, caso os objetivos sejam alcançados. Durante esse período, uma equipe interventora ficará responsável por acompanhar a operação, analisar a situação da concessão e apontar medidas para melhorar o funcionamento do sistema.

Nomeado interventor, Aléxandro Adriano Lisandro de Oliveira afirmou que o trabalho será conduzido com foco na busca de soluções, sem promover mudanças bruscas no transporte. “Esse passo é para buscar uma solução, não uma revolução”, declarou.

De acordo com o interventor, a equipe pretende manter diálogo com os trabalhadores do setor e deve se reunir nos próximos dias com o sindicato dos motoristas para apresentar a situação e esclarecer dúvidas sobre o processo.

A prefeitura informou que, neste primeiro momento, não estão previstas alterações drásticas nas linhas de ônibus, itinerários ou aumento imediato da frota. Mudanças só poderão ocorrer em situações extremas ou quando forem necessárias para corrigir problemas que prejudiquem diretamente os passageiros.

Mesmo com a identificação de mais de 197 ônibus com vida útil vencida, os veículos não serão retirados imediatamente de circulação. Segundo a administração municipal, a decisão é para evitar impactos no atendimento das linhas e garantir a continuidade do serviço.

A intervenção foi oficializada por decreto publicado no Diário Oficial do Município e suspende os poderes de gestão dos administradores do Consórcio Guaicurus sobre os serviços concedidos, na extensão necessária para o cumprimento da medida.

Durante o período de intervenção, a equipe deverá avaliar a situação operacional, financeira, contábil e contratual da concessão, além de apresentar relatórios com as conclusões e possíveis medidas para garantir mais eficiência, segurança e regularidade ao transporte coletivo de Campo Grande.