Política
Luiza Ribeiro entrará com pedido de impugnação da candidatura de Lídio Lopes
Vereadora do PT ficou entre as mais votadas em Campo Grande, mas não conseguiu uma cadeira devido ao quociente eleitoral; estratégia é contestar candidaturas e buscar nova recontagem
A vereadora Luiza Ribeiro (PT), candidata a deputada estadual nas eleições de 2026, afirmou que vai recorrer à Justiça Eleitoral para tentar modificar o resultado da disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Apesar de ter recebido uma votação expressiva, a petista não foi eleita por causa do cálculo do quociente eleitoral e da distribuição das vagas pelo sistema proporcional.
Luiza destacou a votação obtida em Campo Grande e avaliou que o desempenho nas urnas demonstra o crescimento do trabalho político desenvolvido por ela e ressaltou a votação conquistada no interior do Estado, onde, segundo ela, o grupo iniciou uma nova atuação política durante a campanha. “A gente está muito, muito feliz. O resultado aqui em Campo Grande mostra que a gente está no caminho certo, que nós estamos fazendo um trabalho certo. Então, foi muito importante ser uma mulher entre os mais votados aqui de Campo Grande, com pouca diferença do primeiro e do segundo. Isso foi muito importante para nós”, afirmou.
Apesar do resultado, Luiza reconhece que não alcançou a vaga porque outros candidatos tiveram desempenho superior na votação proporcional. “Nós temos votação para estar lá na Assembleia Legislativa. É que os outros concorrentes nossos tiveram um pouco mais, então não nos deixou chegar”, disse.
A principal aposta da candidata agora é contestar candidaturas envolvidas em denúncias de compra de votos. Entre os nomes citados por ela está o deputado estadual Lídio Lopes (Avante), que foi alvo de uma ação da Polícia Federal relacionada à compra de votos. A petista afirmou que pretende apresentar recursos para impugnar candidaturas e questionar a validade dos votos obtidos.
“Nós vamos impugnar candidaturas, incluindo a de Lídio Lopes, porque foi pego pela Polícia Federal (PF) fazendo compra de voto. Então, nós não admitimos a corrupção no processo político-eleitoral. Todas as outras pessoas respeitaram o processo político, mas não podemos admitir”, declarou.
A estratégia impactaria diretamente o cálculo das sobras eleitorais. Para a candidata, sem os votos da candidatura impugnada de Lídio, o Avante deixaria de atingir o percentual mínimo exigido para participar da distribuição das sobras.
O quociente eleitoral para a Assembleia Legislativa está em aproximadamente 62 mil votos. Para participar do rateio das sobras, o partido precisa alcançar pelo menos 80% desse número, o equivalente a cerca de 49,6 mil votos. O Avante teria alcançado aproximadamente 58 mil votos, dos quais cerca de 20 mil foram obtidos por Lídio Lopes.
Com a eventual retirada desses votos, a legenda ficaria com aproximadamente 38 mil votos, abaixo do mínimo necessário para participar do rateio. Nesse cenário, a distribuição das vagas poderia ser alterada e abrir espaço para uma nova composição entre os partidos.
Luiza Ribeiro afirma que, caso a Justiça Eleitoral acolha os recursos, haverá uma nova totalização dos votos e, consequentemente, um novo cálculo para definir a distribuição das cadeiras. “Aí vai haver uma nova recontagem, e quem sabe a gente entrar com mais sensibilidade”, afirmou.
A mudança, no entanto, dependerá da análise da Justiça Eleitoral sobre as denúncias e da eventual invalidação dos votos. Até que haja uma decisão definitiva, permanece o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral após a apuração das eleições.