O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) deu prazo de 48 horas para que a Meta explique se publicações da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tiveram o alcance reduzido nas redes sociais e se uma rede de 255 perfis suspeitos de atacar o presidente permaneceu ativa no Instagram durante o segundo turno das eleições de 2026.

A determinação foi feita pelo ministro Marco Aurélio Bellizze, juiz auxiliar do TSE, após uma representação apresentada pela Coligação Brasil Pronto pra Mais. O grupo acusa a empresa, responsável pelo Instagram e pelo Facebook, de reduzir a distribuição de conteúdos da campanha de Lula e de perfis ligados ao campo progressista. A denúncia também aponta a atuação de contas supostamente controladas por inteligência artificial para atacar o presidente, o PT e a primeira-dama Janja da Silva.

Antes de decidir sobre as medidas urgentes solicitadas pela coligação, Bellizze determinou que a empresa apresente esclarecimentos sobre o caso. A Meta deverá informar quais medidas foram aplicadas desde 16 de agosto aos perfis oficiais da campanha e às contas citadas no processo, incluindo eventuais reduções de alcance, restrições nos resultados de busca e remoções de publicações.

A empresa também terá de explicar divergências nas métricas de vídeos publicados em 7 de outubro e esclarecer os motivos da desativação da conta de anúncios da campanha em 23 de setembro. Em relação aos 255 perfis suspeitos, deverá informar se identificou a rede e quais providências foram adotadas.

Rede suspeita acumulou 58 milhões de visualizações

Segundo a coligação, os 255 perfis investigados acumularam 58 milhões de visualizações em um mês. A representação também menciona um levantamento do projeto VigIA, da Agência Lupa, segundo o qual 61 dos 64 conteúdos sintéticos identificados entre 1º e 5 de outubro continuavam disponíveis na plataforma.

Os chamados conteúdos sintéticos são materiais produzidos ou modificados com ferramentas de inteligência artificial, que podem incluir imagens, vídeos e outros formatos digitais.

Além de cobrar explicações, o ministro determinou que a Meta preserve os registros de moderação, os dados de anúncios e as métricas relacionadas ao caso. A Agência Lupa e o Instituto Democracia em Xeque também foram notificados e terão 48 horas para apresentar as metodologias e os levantamentos citados no processo.

Após a apresentação das respostas, a coligação e a PGE (Procuradoria-Geral Eleitoral) terão 24 horas cada para se manifestar. Somente depois dessas etapas o ministro decidirá sobre o pedido de urgência.

Até essa análise, não há decisão definitiva sobre as acusações apresentadas pela coligação.