Saúde
JD1TV: Tabagismo, álcool e HPV estão entre as principais causas do câncer de cabeça e pescoço
Médico explica que mudanças de hábitos e vacinação podem evitar grande parte dos casos da doença
O câncer de cabeça e pescoço pode ser evitado na maior parte dos casos, desde que fatores de risco sejam controlados e a prevenção seja adotada de forma precoce. O alerta foi feito pelo cirurgião de cabeça e pescoço Dr. Carlos Freitas durante entrevista ao programa Saúde & Bem-Estar, desta sexta-feira, dia 17, em referência à campanha Julho Verde, voltada à conscientização sobre a doença. Segundo o especialista, diferentemente de outros tipos de câncer, esse grupo de tumores está fortemente ligado aos hábitos de vida.
Entre os principais fatores de risco estão o tabagismo, o consumo frequente de bebidas alcoólicas e a infecção pelo HPV. O médico explica que o cigarro continua sendo o maior responsável pelos casos da doença e que o álcool aumenta ainda mais esse risco, especialmente quando associado ao tabaco. Carlos Freitas também chamou atenção para o crescimento do uso dos cigarros eletrônicos entre adolescentes e jovens, ressaltando que esses dispositivos também têm potencial para favorecer o desenvolvimento do câncer e estimular o uso de outras formas de tabaco.
Outro ponto destacado foi a importância da vacinação contra o HPV. De acordo com o especialista, a imunização é mais eficaz quando realizada no início da adolescência, antes do primeiro contato com o vírus. Embora adultos também possam receber a vacina, a proteção pode ser reduzida caso a infecção já tenha ocorrido. O médico ainda alertou para a queda da cobertura vacinal nos últimos anos e reforçou que as vacinas recomendadas pelo Ministério da Saúde continuam sendo uma das principais ferramentas de prevenção.
Durante a entrevista, Carlos Freitas explicou que atualmente entre 30% e 40% dos casos de câncer de orofaringe — região que inclui garganta e amígdalas — já estão relacionados ao HPV. A principal forma de transmissão do vírus para essa região ocorre por meio do sexo oral, o que reforça a necessidade de orientar pais e adolescentes sobre a importância da vacinação antes do início da vida sexual.
O especialista também destacou que o diagnóstico pode ser facilitado quando a população conhece os sinais de alerta. Feridas na boca que não cicatrizam, manchas, caroços no pescoço, dor persistente para engolir e rouquidão por mais de duas ou três semanas merecem investigação médica. Segundo ele, embora esses sintomas possam estar associados a outras doenças, quando persistem é fundamental procurar um especialista para descartar a possibilidade de câncer e garantir o diagnóstico precoce.