Campo Grande deve registrar cerca de 390 novos casos de câncer de mama por ano no triênio 2026–2028. A estimativa consta na publicação “Estimativa 2026: Incidência de Câncer no Brasil”, do Instituto Nacional de Câncer (INCA), e chama atenção para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce durante o Outubro Rosa.

De acordo com o levantamento, a capital sul-mato-grossense tem uma taxa bruta estimada de 78,99 casos para cada 100 mil mulheres. Em Mato Grosso do Sul, a projeção é de 930 novos casos por ano, com taxa de 62,27 casos para cada 100 mil mulheres.

Na Capital, o câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres, quando são desconsiderados os tumores de pele não melanoma. Os 390 casos estimados para Campo Grande representam aproximadamente 42% da projeção para todo o Estado.

Para Sandra Demetrio Lara, coordenadora do curso de Enfermagem da Faculdade Anhanguera de Campo Grande, a informação é uma ferramenta importante para que as mulheres conheçam o próprio corpo e procurem atendimento diante de alterações.

“O Outubro Rosa é um momento importante de conscientização, mas o cuidado com a saúde das mamas precisa fazer parte da rotina durante todo o ano. Conhecer o próprio corpo, observar possíveis alterações e manter o acompanhamento com profissionais de saúde são atitudes fundamentais para favorecer a investigação oportuna”, afirma.

Atenção aos sinais

Entre as alterações que devem ser avaliadas por um profissional de saúde estão o aparecimento de um nódulo fixo e geralmente indolor, mudanças no formato ou na pele da mama, retração do mamilo, pequenos nódulos nas axilas ou no pescoço e saída espontânea de líquido anormal pelos mamilos.

Segundo o INCA, o nódulo é a principal manifestação percebida pelas próprias mulheres e está presente em cerca de 90% dos casos em que a doença é identificada pela paciente.

A presença de uma alteração, no entanto, não significa necessariamente que exista um câncer. A recomendação é não ignorar sinais persistentes e evitar tentar estabelecer um diagnóstico por conta própria.

“Ao identificar qualquer mudança persistente, a orientação é procurar uma unidade de saúde. A avaliação individualizada permite ao profissional analisar o histórico, realizar o exame clínico e, quando necessário, indicar os exames adequados. Adiar essa procura pode comprometer a investigação de uma alteração que exige atenção”, explica Sandra.

Hábitos saudáveis podem reduzir riscos

Nem todos os fatores relacionados ao câncer de mama podem ser modificados. Idade, histórico familiar e algumas condições genéticas, por exemplo, estão entre os fatores que não dependem de escolhas individuais.

Por outro lado, determinados hábitos estão associados à redução do risco de desenvolvimento da doença. Entre as recomendações estão a prática regular de atividade física, a manutenção do peso corporal adequado, uma alimentação saudável e a redução do consumo de bebidas alcoólicas. A amamentação também é considerada um fator de proteção.

“A prevenção envolve escolhas possíveis no cotidiano. Manter-se fisicamente ativa, cuidar da alimentação, evitar bebidas alcoólicas e não fumar são atitudes que beneficiam a saúde de forma ampla. É importante lembrar que nenhuma medida elimina completamente o risco, mas hábitos saudáveis contribuem para reduzi-lo”, ressalta Sandra.

A especialista também orienta que as mulheres mantenham consultas periódicas e conversem com profissionais de saúde sobre a necessidade de exames. A indicação deve levar em consideração fatores como idade, histórico familiar, presença de sintomas e características individuais.

Orientações para prevenção

• Observe as mamas e procure atendimento ao perceber mudanças persistentes;

• Mantenha consultas e exames em dia, conforme orientação profissional;

• Pratique atividade física regularmente;

• Busque manter o peso corporal adequado;

• Priorize uma alimentação equilibrada;

• Evite ou reduza o consumo de bebidas alcoólicas;

• Não fume e evite a exposição ao tabagismo passivo;

• Informe ao profissional de saúde sobre casos de câncer de mama ou de ovário na família.

Os números divulgados pelo INCA são estimativas para cada ano do triênio 2026–2028. Os valores absolutos foram arredondados para múltiplos de dez. Para Mato Grosso do Sul e Campo Grande, o instituto informa que a estimativa foi calculada a partir da mortalidade convertida em incidência pela razão incidência/mortalidade da região Centro-Oeste.