O novo contrato entre a Prefeitura de Campo Grande, o Governo de Mato Grosso do Sul e a Santa Casa não deve resolver a crise financeira do hospital, segundo alerta feito pelo Ministério Público Estadual (MPMS) durante audiência nesta quarta-feira (14). Mesmo com o aumento de R$ 4 milhões nos repasses mensais, a instituição pode continuar acumulando um déficit de até R$ 19,7 milhões por mês.

Representado pelo promotor de Justiça Marcos Dietz, o MPMS destacou que a situação compromete a continuidade dos atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O novo contrato terá duração de 36 meses, mas, para o órgão, a renegociação financeira não substitui a necessidade de um plano amplo de recuperação do hospital.

A crise também afeta diretamente os pacientes. Conforme apontado pelo promotor, há internações que chegam a 90 dias e espera de até 60 dias para implante de marcapasso. A falta de insumos, medicamentos e materiais médicos, além de débitos com profissionais, agrava o cenário.

As dívidas com equipes médicas são estimadas em R$ 40 milhões, com cerca de cinco meses de atraso nos pagamentos. A anestesiologia é uma das áreas que preocupam o Ministério Público, já que profissionais indicaram dificuldades para manter os serviços após o prazo de extensão de 45 dias determinado pela Justiça. Sem essa especialidade, procedimentos e outras atividades hospitalares podem ser comprometidos.

O MPMS reforçou que a ação judicial em andamento busca medidas concretas para recuperar a Santa Casa e garantir atendimento contínuo à população. O órgão afirma que continuará acompanhando as negociações e cobrando soluções do poder público e da gestão hospitalar.