No Dia do Orgulho Autista, celebrado nesta quarta-feira (18), especialistas e famílias reforçam a importância de enxergar as pessoas autistas para além dos desafios impostos pelo transtorno. A data também chama atenção para um problema que ainda afeta milhares de brasileiros, como a dificuldade de acesso ao diagnóstico e aos tratamentos especializados.

Dados do estudo Mapa Autismo Brasil (MAB), considerado o primeiro perfil sociodemográfico nacional sobre pessoas autistas, mostram que apenas 20,4% dos diagnósticos foram confirmados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A pesquisa também revelou que somente 15,5% dos entrevistados realizam terapias pela rede pública e que 56,5% recebem até duas horas semanais de atendimento, volume abaixo do recomendado por especialistas.

Para a vice-presidente da Associação de Pais e Amigos do Autista (AMA) de Campo Grande, Flávia, a sociedade precisa reconhecer as capacidades e talentos das pessoas autistas. “Quando a sociedade enxerga apenas as limitações, acaba reforçando estigmas. Valorizar as potencialidades favorece a inclusão, amplia oportunidades e promove autonomia e qualidade de vida”, afirma.

Segundo ela, a dificuldade para conseguir diagnóstico e acompanhamento especializado ainda é uma realidade em boa parte do país. “As famílias frequentemente enfrentam longas filas para consultas com especialistas, escassez de profissionais capacitados e demora na realização das avaliações. Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores são as chances de intervenções oportunas e melhores resultados no desenvolvimento”, destaca.

Em Mato Grosso do Sul, os desafios são ainda maiores fora dos grandes centros urbanos. De acordo com Flávia, muitas famílias precisam percorrer longas distâncias em busca de atendimento especializado. “Há um desafio adicional em municípios do interior, onde a oferta de profissionais especializados é mais limitada. Muitas famílias precisam se deslocar para centros maiores em busca de atendimento, gerando custos financeiros e desgaste emocional”, explica.

A representante da AMA defende a ampliação dos serviços especializados pelo SUS e o fortalecimento das entidades que atuam diretamente com a população autista. “Essas instituições desempenham um papel essencial no acolhimento das famílias, na oferta de atendimentos, na orientação sobre direitos e na promoção da inclusão social. Muitas vezes, elas suprem lacunas que o poder público ainda não consegue atender”, ressalta.

Para ela, garantir diagnóstico precoce, acesso às terapias e apoio às associações é fundamental para assegurar mais inclusão, autonomia e qualidade de vida às pessoas autistas e suas famílias.