A semana foi agitada em Campo Grande com a intervenção da prefeitura no Consórcio Guaicurus. A equipe interventora já se adiantou e anunciou que melhorias no sistema ainda vão demorar a aparecer. A fase agora é de análise a respeito do comportamento entre receitas e despesas para que se defina se o sistema é ou não deficitário, conforme sempre alegaram os gestores hoje afastados e que inclusive levaram a questão para a Justiça. De concreto, apenas os boletos, que vencem todos os dias.

• As viagens e a conta

Fora os custos com óleo diesel, peças de reposição e salários dos trabalhadores, no radar da equipe interventora estão pelo menos uma centena de ônibus pendurados em operações de leasing. Se eventualmente as prestações não forem pagas, no curtíssimo prazo de 15 dias os veículos começam a ser apreendidos, a pedido dos bancos credores. Seria o pior dos mundos para a gestão Adriane Lopes (PP) viagens sendo interrompidas por oficiais de Justiça. A pior fase da intervenção começa nesta semana. A ver.

• Influenciadores na berlinda

Influenciadores digitais que enchem as burras de dinheiro divulgando bets ilegais, poderão responder pelas obrigações fiscais dessas empresas de apostas, como o pagamento de imposto de renda. A medida visa garantir ao Tesouro Nacional o dinheiro do imposto sonegado pelas plataformas sediadas no exterior. Portaria nesse sentido foi publicada na sexta-feira (19) pela Receita Federal.

Fintechs na mira

As Fintechs que lavam o dinheiro dessas empresas de jogatina ilegal também estão na mira da Receita, assim como os bancos. Se essas organizações movimentarem recursos dessas bets, passarão a ser consideradas substitutas tributárias das sonegadoras. Em resumo: a Receita irá cobrar da Fintech o imposto que não é pago pela bet. E não para por aí. Será cobrado ainda o imposto de renda, o Pis/Cofins e a contribuição destinada ao Ministério da Saúde. Nada mais justo. Pecunia non olet.

• Feirão do Congresso I

Se na semana passada ainda tinha gente que considerava “muito dinheiro” a mesada média entre R$ 300 e R$ 500 mil paga pelo ex-banqueiro e hoje presidiário Daniel Vorcaro ao dono do Progressitas (PP), senador Ciro Nogueira, essa impressão se dissipou com as informações publicadas pela Revista Veja a respeito do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP), no contexto do Banco Master. O parlamentar teria embolsado 30 milhões de dólares, pouco mais de R$ 155 milhões ao câmbio de sexta-feira (19).

• Feirão do Congresso II

Ainda no cardápio do Senado, Flávio Bolsonaro estaria custando US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões), quantia que pediu a Vorcaro para bancar o filme Dark Horse, cinebiografia do pai, o também presidiário Jair Bolsonaro. Desse total, R$ 61 milhões comprovadamente (por enquanto) foram pagos no que agora é considerado o maior investimento nacional em produção nacional.

• Fique com o troco

Se confirmadas as informações da Polícia Federal sobre o também senador Jaques Wagner (PT/BA), que estaria na iminência de receber um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões de um ex-sócio de Daniel Vorcaro, o parlamentar poderia ser considerado, no menu do Feirão do Congresso, apenas um couvert, uma entrada. Ou um aperitivo. Dinheiro de pinga, portanto.