Campo Grande chega aos 127 anos em meio a avanços e desafios que ajudam a contar a história de seu desenvolvimento. De um lado, a cidade ampliou serviços, investimentos e oportunidades, mas de outro, ainda enfrenta problemas que impactam diretamente a vida da população. Dados de diferentes períodos mostram como a Capital evoluiu e onde ainda precisa avançar em áreas essenciais, como saúde, educação, emprego e renda.

Os indicadores do IEPS Data, por exemplo, mostram uma melhora importante na estrutura de saúde de Campo Grande entre 2010 e 2025. A atenção básica avançou, o número de leitos de UTI cresceu e houve redução das mortes evitáveis. Mesmo assim a Capital ainda registra mortalidade evitável acima das médias estadual e nacional, perdeu cobertura da atenção básica em alguns períodos e continua atrás de Cuiabá e Goiânia na oferta de UTIs.

A cobertura da atenção básica passou de apenas 36,17% em 2010 para 80,17% em 2025, avanço de 44 pontos percentuais. A evolução, porém, não foi contínua. Em 2016, o índice ainda estava em 38,02%. Chegou a 66,97% em 2020, recuou para 65,23% em 2022 e alcançou cerca de 84% em 2023. 

Depois, caiu para aproximadamente 76% em 2024 e voltou aos 80,17% em 2025. Campo Grande ainda não conseguiu manter cobertura próxima da universalidade de forma constante.

Na comparação com capitais do Centro-Oeste, em 2010, Campo Grande tinha a menor cobertura da atenção básica, com 36,17%, atrás de Brasília (46,45%), Cuiabá (51,75%) e Goiânia (100%).

Em 2025, o cenário se inverteu, e a Capital aparece com 80,17%, seguida por Cuiabá (75,62%), Brasília (56,04%) e Goiânia (49,71%). O desempenho relativo melhorou bastante, embora cerca de um em cada cinco moradores ainda esteja fora da cobertura potencial da atenção básica.

Nem todos os indicadores tiveram evolução positiva. A cobertura contra a poliomielite caiu de 94,65% em 2010 para 92,8% em 2016, 79,87% em 2022 e 88,42% em 2025. Apesar da recuperação recente, o percentual permanece abaixo do observado 15 anos atrás.

Mortes evitáveis continuam acontecendo
A mortalidade por causas evitáveis caiu de 138,88 mortes por 100 mil habitantes em 2010 para 120,71 em 2016, 122,81 em 2022 e 119,31 no dado mais recente, acima de Mato Grosso do Sul (116,47) e bem acima da média brasileira (101,51).

As hospitalizações por condições sensíveis à atenção primária também oscilaram. Eram 627,12 por 100 mil habitantes em 2010, passaram para 708,92 em 2016 e chegaram a 830,07 em 2022. 

No dado mais recente, recuaram para 768,01, ainda acima dos níveis de 2010 e 2016. O indicador merece atenção porque reúne internações que podem ser reduzidas com uma atenção primária mais resolutiva.

Distância de Cuiabá e Goiânia 
Campo Grande também ampliou a oferta de leitos de UTI do SUS, de 15,41 por 100 mil habitantes em 2010 para 19,77 em 2016, 20,98 em 2020, 24,21 em 2022 e 25,13 em 2025. O crescimento no período foi de aproximadamente 63%.

Mesmo assim, a Capital não acompanhou o ritmo das principais referências regionais. Em 2025, Goiânia tinha 37,65 leitos por 100 mil habitantes e Cuiabá, 35,84. Campo Grande, com 25,13, superava apenas Brasília, com 20,45, entre as quatro capitais comparadas.

A despesa por habitante passou de R$ 1.539,41 em 2010 para R$ 1.884,65 em 2016 e R$ 2.191,84 em 2022, considerando os valores corrigidos apresentados pela plataforma. Em 2025, ficou em R$ 1.976,30 por morador, acima da média brasileira de R$ 1.627,82, mas abaixo da média de Mato Grosso do Sul, de R$ 2.111,17.

Os recursos próprios municipais passaram de R$ 671,69 por habitante em 2010 para R$ 954,79 no dado de 2025. O gasto relativamente elevado, porém, não se traduz em vantagem em todos os indicadores: a mortalidade evitável continua alta e a disponibilidade de UTI permanece distante de Cuiabá e Goiânia.

Emprego e renda
Os indicadores mostram que Campo Grande ampliou o mercado de trabalho nas últimas duas décadas, especialmente na indústria, mas dados contrastam com o elevado número de pessoas em situação de pobreza ou baixa renda. 

No Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), edição 2025, com ano-base 2023, Campo Grande alcançou 0,9555 em Emprego & Renda, resultado classificado como de alto desenvolvimento.  Mesmo sendo capital, ficou na 153ª posição nacional entre os municípios e em 2º lugar em Mato Grosso do Sul.

O resultado de 2023 praticamente recuperou o patamar de 2013, quando o índice era de 0,9572. No intervalo, porém, a nota caiu para 0,8749 em 2017. Depois, voltou a avançar, alcançando 0,9144 em 2021, 0,9478 em 2022 e 0,9555 em 2023. 

Indústria
A série histórica do Observatório da Indústria da Fiems mostra uma expansão expressiva no longo prazo. Em 2007, Campo Grande tinha 1.242 empresas industriais e 29.633 empregos formais, com salário nominal médio de R$ 920.
O mercado cresceu até atingir 44.370 trabalhadores em 2013, mas perdeu força nos anos seguintes. Em 2016, eram 35.411 empregos, quase 9 mil a menos que três anos antes, e o saldo anual foi negativo em 2.095 vagas.

Em 2020, ano marcado pelo início da pandemia, o número caiu para 33.663 trabalhadores, com 2.143 empresas e saldo negativo de 476 vagas. Esse período representou um dos pontos mais baixos da série recente.

Depois de 2020, o emprego industrial passou para 35.401 trabalhadores em 2021 e 37.962 em 2022. Naquele ano, Campo Grande tinha 2.621 empresas e registrou saldo positivo de 2.561 vagas.

Em 2025, a Capital chegou a 43.969 empregos formais na indústria, praticamente retornando ao recorde de 44.370 observado em 2013. Na comparação com 2007, são 14.336 trabalhadores a mais, crescimento de cerca de 48%. O painel aponta ainda 2.954 empresas e 2.432 vagas criadas em 2025. 

Os números de 2026 são parciais, até junho, no recorte apresentado pelo painel da Fiems com base no Caged, Campo Grande contabilizava 2.041 admissões e 1.495 desligamentos, deixando saldo positivo de 546 empregos.

Vulnerabilidade permanece
O avanço do emprego contrasta com os indicadores sociais. Em março de 2022, Campo Grande tinha 152.173 pessoas e 59.446 famílias em situação de pobreza ou baixa renda, segundo o painel da Fiems/Governo de Mato Grosso do Sul.
Campo Grande trava em transformar crescimento em melhora de renda e redução da vulnerabilidade.

Em março de 2025, eram 247.708 pessoas e 95.021 famílias. Já em março de 2026, houve pequena redução: 243.861 pessoas e 94.008 famílias. São 3.847 pessoas e 1.013 famílias a menos que no mesmo mês de 2025.

Educação
A comparação do Ideb mostra que Campo Grande praticamente não avançou no desempenho do ensino fundamental entre 2017 e 2025. Nos anos iniciais da rede pública, considerando escolas estaduais e municipais, a nota era 5,7 em 2017 e permaneceu em 5,7 em 2025, oito anos depois.

Nos anos finais, houve recuo. O índice, que estava em 5,0 em 2017, caiu para 4,9 em 2025, redução de 0,1 ponto. O resultado mais recente, porém, representa uma recuperação em relação a 2023, quando a nota havia ficado em 4,8.

Na Rede Municipal de Ensino (Reme), especificamente, o Ideb de 2025 ficou em 5,7 nos anos iniciais e 4,8 nos anos finais.  Campo Grande voltou ao mesmo patamar de oito anos atrás nos primeiros anos do fundamental e ainda não recuperou o desempenho de 2017 entre os estudantes dos anos finais.

O Ideb mede a qualidade da educação e o desempenho dos alunos em português e matemática no Saeb e os índices de aprovação escolar.