O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que uma tentativa de fechar acordo de delação premiada não avançou porque as informações poderiam envolver o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

A declaração teria sido feita durante depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, sem a participação da PF. Segundo Vorcaro, ele e Andrei já viajaram juntos para eventos e tiveram contato anteriormente. Na avaliação do ex-dono do Banco Master, essa relação teria influenciado a falta de interesse de delegados em ouvi-lo.

Vorcaro também alegou que não teve espaço para apresentar tudo o que sabia e afirmou que uma possível colaboração poderia atingir integrantes de um “núcleo político”. Ele ainda teria demonstrado interesse em fazer uma nova tentativa de delação, desta vez apresentando informações sobre sua relação com o diretor-geral da PF.

A versão, porém, é contestada. A proposta anterior de colaboração de Vorcaro foi recusada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo os órgãos, o material apresentado não trazia informações inéditas e tinha conteúdo considerado frágil.

Nesta quarta-feira (2), a PGR também pediu o arquivamento de denúncias de ameaças feitas pelo ex-banqueiro. Para o procurador-geral Paulo Gonet, não foram apresentados fatos concretos ou elementos mínimos que sustentassem as acusações.

A defesa de Vorcaro não comentou o depoimento, que está sob sigilo. Andrei Rodrigues também não havia se manifestado.