O cantor e compositor baiano Netinho morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, após enfrentar um linfoma não-Hodgkin do tipo B, câncer que afeta o sistema linfático. Segundo comunicado divulgado pela equipe do artista, o quadro de saúde evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos.

A assessoria informou que ele morreu tranquilamente e relembrou uma frase que costumava dizer durante o tratamento: “Partirei feliz, realizado, pois a vida me deu muito mais do que eu sonhei. Levarei comigo o sorriso de cada fã que foi feliz com a minha arte.” Por desejo do próprio cantor, o velório e a cremação serão reservados aos familiares e amigos próximos.

Natural de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, Netinho cursou Engenharia Civil na Ucsal (Universidade Católica do Salvador) antes de se dedicar integralmente à música. Durante a faculdade, conciliava os estudos com apresentações em escolas e, posteriormente, começou a tocar profissionalmente em bares, com repertório de MPB e bossa nova. A projeção nacional veio no fim dos anos 1980, quando assumiu os vocais da Banda Beijo. Com carisma e presença de palco, tornou-se um dos nomes associados ao axé music, aos trios elétricos e ao Carnaval de Salvador, conquistando fãs em diferentes regiões do país.

Entre os maiores sucessos da carreira está “Milla”, canção que atravessou gerações e se tornou um dos clássicos do axé. O repertório do cantor também inclui músicas como “Beijo na Boca”, “Estrela Primeira”, “Barracos” e “Fim de Semana”. Além dos palcos, Netinho investiu no mercado musical e abriu um estúdio de gravação no Rio de Janeiro, que recebeu artistas como Gilberto Gil e Milton Nascimento.

Netinho foi casado com a jornalista Mariana Trindade, com quem teve uma filha, Bruna. Na política, disputou uma vaga de deputado federal pelo PL nas eleições de 2022, mas não foi eleito e ficou como suplente. Apoiador de Jair Bolsonaro, participou de manifestações favoráveis ao então presidente em 2021, posicionamento que também gerou críticas.

Netinho revelou o diagnóstico de linfoma não-Hodgkin do tipo B em março de 2025, após sentir fortes dores nas pernas e nas costas. Durante o tratamento, compartilhou informações sobre sua saúde nas redes sociais e, em junho daquele ano, chegou a anunciar a remissão do câncer. Em setembro, porém, precisou ser internado novamente após a recidiva da doença.

A equipe do cantor destacou, em nota, a trajetória artística construída ao longo de décadas. “Artista extraordinário, talentoso, sensível e inovador, Netinho construiu uma trajetória marcada pela alegria, pela música e por um carisma inconfundível”, afirmou o comunicado, ressaltando que sua voz e sua conexão com o público permanecerão na memória dos fãs.

A assessoria informou que as cerimônias de despedida serão realizadas de forma reservada, conforme o desejo manifestado pelo próprio artista. A equipe também pediu respeito à privacidade dos familiares e amigos neste momento de luto. Com uma carreira marcada pela energia dos trios elétricos e por músicas que embalaram o Carnaval e as micaretas brasileiras, Netinho deixa sua marca na história do axé music e na memória de milhares de fãs que acompanharam sua trajetória.