Internacional
OMS traça meta para detectar ameaças de pandemia em 24 horas
A OMS (Organização Mundial da Saúde) estabeleceu um novo objetivo global para o combate a crises sanitárias: garantir que, até 2030, todos os países tenham capacidade de identificar e avaliar potenciais riscos à saúde pública em no máximo 24 horas após o seu surgimento.
A meta foi apresentada nessa segunda-feira (12) e busca conter novos surtos logo no início, evitando que enfermidades locais se transformem em epidemias de grande escala. Para viabilizar o plano, a entidade lançou uma estratégia de cinco anos voltada ao seu Centro de Inteligência sobre Pandemias e Epidemias. A proposta aposta no uso de inteligência artificial, no fortalecimento dos mecanismos de vigilância contínua e na ampliação do compartilhamento de dados entre os governos nacionais.
A nova diretriz está estruturada em quatro pilares fundamentais:
Inteligência artificial: aplicação da tecnologia no monitoramento diário e em tempo real de milhares de fontes públicas de dados para rastrear indícios de ameaças emergentes.
Análise genética: expansão do sequenciamento de materiais genéticos de vírus e bactérias nos países, acelerando o reconhecimento de novos agentes infecciosos e o desenvolvimento de diagnósticos, vacinas e tratamentos.
Rede global de especialistas: integração de mais de 2 mil analistas e peritos em modelagem preditiva, prontos para serem mobilizados rapidamente em situações de emergência.
Cooperação internacional: ampliação da Iniciativa de Vigilância Colaborativa — já em andamento em mais de 83 nações — com a criação de plataformas digitais seguras para a troca de dados entre governos e instituições parceiras.
O anúncio oficial ocorreu durante a Cúpula Mundial da Saúde, realizada em Berlim, na Alemanha. Na cerimônia de abertura, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, reforçou que a estrutura do Centro se consolidou como peça fundamental na segurança sanitária internacional e destacou a urgência de uma resposta coordenada contra riscos emergentes.
Criado em 2021 em parceria com o governo alemão, o Centro de Inteligência surgiu para corrigir as fragilidades nos sistemas de monitoramento evidenciadas pela pandemia de Covid-19. Desde a sua fundação, a iniciativa já articulou ações com 160 Estados-membros, 190 entidades parceiras e milhares de pesquisadores e gestores de saúde ao redor do mundo.