Cidade
MP investiga cemitério de Naviraí por sumiço de restos mortais
Inquérito civil apura desorganização administrativa e superlotação
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou um inquérito civil para investigar uma série de graves irregularidades no funcionamento do Cemitério Público Municipal de Naviraí. A apuração aponta para falhas na realização de exumações, total ausência de controle administrativo e possíveis violações à dignidade humana, com indícios de crimes como violação de sepultura e ocultação de cadáver.
A investigação teve início após relatos chocantes de moradores da cidade que, ao tentarem sepultar familiares, encontraram os túmulos de seus entes queridos completamente vazios. Em um dos casos relatados ao MPMS, foi constatado que restos mortais foram exumados sem qualquer comunicação prévia à família e sem que houvesse informação precisa sobre onde os ossos foram armazenados.
Durante as diligências no local, a equipe do Ministério Público identificou um cenário crítico: ausência de registros confiáveis, inexistência de um sistema eficaz de controle e armazenamento inadequado de ossadas, muitas delas mantidas de forma irregular no ossuário e sem qualquer tipo de identificação.
Outro problema apontado pelo MPMS é a possível superlotação do cemitério de Naviraí, com indícios de que até mesmo as áreas de circulação (calçadas e corredores) estariam sendo utilizadas de forma irregular para a realização de novos sepultamentos. A legislação municipal exige critérios rígidos para exumações e o registro detalhado de todas as movimentações, normas que não vinham sendo cumpridas.
Em resposta aos procedimentos, a Prefeitura de Naviraí apresentou informações sobre medidas adotadas para tentar reorganizar o serviço funerário, incluindo a implantação de um sistema informatizado e a revisão de processos internos. No próprio levantamento do município, há o reconhecimento de falhas herdadas de gestões anteriores e lacunas históricas nos registros de exumações.