O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou um inquérito civil para investigar possíveis irregularidades ambientais e sanitárias em uma granja na zona rural de Ivinhema, após relatos de proliferação de moscas e larvas que estariam invadindo residências e causando transtornos aos moradores.

A apuração começou após uma denúncia apresentada por um vereador do município. Moradores também anexaram fotografias que mostram moscas em utensílios, embalagens de alimentos e estruturas das casas. Vistorias realizadas por órgãos de fiscalização identificaram problemas no controle de insetos e no manejo dos resíduos da propriedade.

Em uma inspeção realizada em agosto deste ano, fiscais da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) encontraram larvas vivas em diferentes estágios de desenvolvimento. O relatório apontou aplicação ineficaz de inseticidas, acúmulo de dejetos a céu aberto, telas danificadas nos galpões e falhas na estrutura da composteira. As instalações chegaram a ser interditadas até a correção das irregularidades.

O Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) também determinou adequações na composteira, implantação de uma área impermeabilizada para secagem de dejetos com contenção de chorume e regularização da captação de água subterrânea, além de reformas nos barracões.

Embora uma nova vistoria tenha identificado melhora nos galpões e redução temporária do ciclo reprodutivo das larvas, moradores do bairro Eco Park continuaram relatando problemas nas residências vizinhas. A defesa técnica da granja afirmou que o estabelecimento está em transição para um sistema de criação de galinhas soltas sobre cama de maravalha e recusou a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

Com a divergência entre os relatos dos moradores e os resultados das inspeções, o promotor de Justiça Allan Thiago Barbosa Arakaki determinou o aprofundamento da investigação. Entre as medidas previstas estão a oitiva de residentes, a realização de perícia técnica ambiental e o acompanhamento das exigências feitas pelos órgãos fiscalizadores. A empresa também terá prazo de 10 dias úteis para apresentar defesa e eventuais quesitos periciais.