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Relatório aponta indícios de maus-tratos em lar de idosos de MS
MPMS abriu Inquérito Civil após prazos vencerem sem comprovação de adequações
Um lar de idosos de Eldorado, no sul de Mato Grosso do Sul, virou alvo de um Inquérito Civil do Ministério Público Estadual após denúncias de negligência e possíveis maus-tratos contra pessoas acolhidas na instituição. Um relatório técnico do Centro de Referência Especializado de Assistência Social, elaborado após visitas ao local, apontou problemas na alimentação, nos cuidados de saúde e no respeito à autonomia dos residentes.
Durante a avaliação, realizada em março e registrada em relatório de abril, a equipe ouviu 18 dos 21 idosos que viviam no local. Entre os problemas identificados estavam a ausência de nutricionista, enfermeiro responsável e psicólogo, o compartilhamento de itens de higiene e falhas na administração de medicamentos.
O documento também registrou relatos de ameaças de desligamento, linguagem ofensiva e humilhante, restrições à escolha de roupas e calçados e uso de fraldas por conveniência operacional, sem aguardar que alguns idosos utilizassem o banheiro.
O relatório apontou ainda que a instituição não prestava contas aos residentes sobre os valores retidos de seus benefícios, equivalentes a 70% dos proventos, nem esclarecia o acesso aos 30% restantes. Também foram relatadas limitações nas atividades de lazer e dificuldades para que pessoas com mobilidade reduzida participassem das ações oferecidas. Segundo a avaliação técnica, as falhas poderiam comprometer a segurança, a dignidade e a qualidade de vida dos acolhidos.
A apuração ganhou novos desdobramentos após a Defensoria Pública comunicar suspeitas de maus-tratos contra uma residente com deficiência e uma nova denúncia feita ao Disque 100 relatar possível desvio de doações. Em reunião realizada em abril, a direção da entidade havia se comprometido a cumprir medidas urgentes em até 60 dias e outras adequações em até 90 dias. Entretanto, conforme despacho do MPMS, os prazos venceram sem comprovação de cumprimento, e dois ofícios da Promotoria solicitando informações sobre as providências adotadas não foram respondidos.
Diante desse cenário, em despacho assinado em 21 de outubro, o promotor de Justiça Bruno Couto Pinto de Miranda determinou a instauração de Inquérito Civil para apurar as condições de atendimento e eventuais violações de direitos das pessoas idosas e com deficiência acolhidas no lar. As questões trabalhistas, incluindo denúncias de assédio moral e irregularidades nos vínculos de funcionários, seguem em procedimento próprio no Ministério Público do Trabalho.