Mato Grosso do Sul enfrenta uma sequência de dias de calor intenso e baixa umidade. Entre esta segunda-feira (17) e quarta-feira (19), os termômetros podem chegar aos 40°C em algumas regiões, enquanto a umidade relativa do ar deve variar entre 10% e 30%. De acordo com o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec), a presença de um sistema de alta pressão atmosférica favorece a permanência das temperaturas elevadas e do tempo seco.

O cenário exige cuidados principalmente com crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou crônicas. A coordenadora do curso de Enfermagem da Faculdade Anhanguera de Campo Grande, Sandra Demétrio Lara, explica que esses grupos têm maior dificuldade para regular a temperatura corporal. “A adoção de medidas preventivas é fundamental, já que o sistema de controle da temperatura corporal das crianças ainda está em desenvolvimento, dificultando a manutenção de uma temperatura interna estável. Os idosos possuem um sistema de termorregulação menos eficiente, o que prejudica a capacidade de dissipar o calor”, afirma.

Desidratação é um dos principais riscos

Durante períodos de calor extremo, o organismo aumenta o fluxo de sangue para a pele e intensifica a transpiração para tentar reduzir a temperatura corporal. O problema ocorre quando a perda de líquido pelo suor não é compensada pela ingestão adequada de água.

“A sudorese é um dos principais métodos que o corpo utiliza para regular a temperatura interna. Através da dilatação dos vasos sanguíneos, um fluxo sanguíneo mais intenso é direcionado à pele. Se não houver reposição de água para compensar a perda pela transpiração, a perda de líquidos pode reduzir o volume sanguíneo circulante, favorecendo a queda da pressão arterial e, em situações mais graves, levando à desidratação”, alerta Sandra.

A preocupação é ainda maior entre idosos que convivem com doenças crônicas, como problemas cardiovasculares e diabetes. Com o envelhecimento, há redução da quantidade de água no organismo e também uma menor percepção da sede, o que pode fazer com que a pessoa demore a perceber que precisa se hidratar.

Crianças também precisam de proteção

 Além da hidratação, a exposição ao sol deve ser controlada, principalmente nos horários de maior calor. Segundo a especialista, as crianças precisam de atenção especial por ainda estarem desenvolvendo os mecanismos responsáveis pela regulação da temperatura corporal.

Nos idosos, o organismo também perde eficiência para eliminar o excesso de calor. “O corpo de um idoso, quando exposto a temperaturas elevadas, tem dificuldade em eliminar o calor excessivo, o que pode resultar em um aumento perigoso da temperatura interna. Esse aumento não é causado por febre, mas sim pela incapacidade do organismo de regular sua própria temperatura”, explica.

No caso das crianças, Sandra reforça ainda a necessidade de reduzir a exposição direta ao sol. “A atenção também deve ser redobrada em relação à exposição solar, nociva à pele que é significativamente maior nos pequenos”, finaliza.

Durante os dias mais quentes e secos, a recomendação é manter a hidratação ao longo do dia, evitar exposição prolongada ao sol e atividades físicas nos períodos de maior temperatura, além de manter os ambientes ventilados e ficar atento a sinais de desidratação, especialmente em crianças e idosos.