A história de Eveline Mesquita com a confeitaria começou há 15 anos, quando ela decidiu vender bombons para conseguir dinheiro para pagar um cursinho. O que nasceu como uma alternativa para complementar a renda ganhou espaço dentro da família, atravessou os anos da faculdade de Arquitetura e, com o tempo, tornou-se a profissão da campo-grandense. Em 2026, a trajetória foi reconhecida com a vitória na etapa regional do Prêmio Academia Assaí, competição que reúne empreendedores do setor de alimentação de diferentes partes do país. 

No início, a produção e as vendas contaram com a participação da mãe, do irmão e de outros familiares. Eveline lembra que o trabalho logo deixou de ser apenas uma atividade individual.

“Na época, minha mãe e meu irmão também começaram a me ajudar a vender. Meu irmão na faculdade, minha mãe no serviço e tive apoio de familiares na produção. Acabou virando um negócio da família toda!”, conta. 

Mesmo durante a graduação em Arquitetura, os doces continuaram fazendo parte da rotina. A renda ajudava a pagar projetos e despesas do curso, enquanto Eveline aperfeiçoava as técnicas de confeitaria. A marca Doces Mesquita também ganhou um significado afetivo após a morte da avó, Maria Aldenora Mesquita de Almeida.

“Decidi oficializar o nome Doces Mesquita como uma homenagem, pelo reconhecimento e pela força que esse sobrenome representa”, explica.

Segundo Eveline, a avó era uma referência de força, otimismo e determinação. Hoje, apesar de conduzir sozinha a confeitaria, ela afirma que continua levando consigo o apoio recebido da família.

“Hoje eu sigo solo na confeitaria, cuidando do negócio sozinha, mas carrego a estrutura e o apoio de todos eles em cada passo”, afirma. 

Terceira tentativa trouxe a conquista regional

A participação no Prêmio Academia Assaí também foi marcada pela persistência. Eveline havia tentado entrar na competição duas vezes, sem conseguir chegar à fase final. Na terceira inscrição, decidiu tentar novamente, mas sem alimentar grandes expectativas.

“Esse ano me inscrevi de imediato, pensando: talvez dê certo! E fui com a cara e coragem”, relembra. 

A tentativa deu resultado. Eveline avançou na competição e conquistou a etapa regional. A entrega do troféu ocorreu em 8 de setembro, durante um café da manhã na unidade do Assaí Aeroporto, em Campo Grande. Ela estava acompanhada do marido e da mãe.

“No momento em que o café da manhã foi servido, recebi o troféu de vencedora regional do Prêmio Academia Assaí, foi muito emocionante. Pude viver essa experiência acompanhada do meu esposo e da minha mãe, e foi muito especial”, contou. 

Eveline Mesquita recebe prêmio regional Foto: arquivo pessoal

A conquista teve impacto também na maneira como a confeiteira passou a enxergar o próprio trabalho.

“Me senti reconhecida. Muitas vezes passamos por altos e baixos, pensamos em desistir, desanimamos e às vezes pensamos que não somos capazes”, relata. 

Ao receber a notícia de que havia chegado à final, Eveline conta que viveu uma mistura de surpresa e emoção ao lado do marido.

“Não sabia se chorava, se era real, se eu era merecedora, se era capaz… Fiquei eufórica, comemorei com meu esposo, gritamos muito”, lembra.

Para ela, aquele momento mudou a forma de encarar os próprios objetivos. “Ali virou uma chave: sou capaz e estou no caminho certo. E, todas as vezes que questionei, nem passou mais pela cabeça. Tudo vai dar certo!”, afirma.

Uma semana de aprendizado em São Paulo

Depois da vitória regional, Eveline seguiu para São Paulo para participar da etapa nacional. Antes da viagem, os participantes receberam orientações sobre aspectos de gestão, como custos fixos e variáveis, margem, resultados, operação e perfil dos clientes. A programação, porém, reservava uma série de atividades que só foram conhecidas ao longo da experiência.

“A viagem era muito secreta. A gente não sabia o que ia enfrentar em São Paulo, o que a gente ia ter, qual experiência a gente ia ter. Estava tudo meio às cegas”, contou Eveline.

Eveline participando da etapa final do concurso, em São Paulo Foto: arquivo pessoal

Segundo ela, um dos principais impactos da imersão foi perceber que os participantes não estavam apenas competindo entre si. As atividades criaram oportunidades de troca, parceria e conexão entre os empreendedores.

“Quando a gente descobriu que não estava competindo e sim que estava agregando um ao outro, mudou a perspectiva de todo mundo”, afirmou.

A programação incluiu palestras, rodas de conversa, visitas técnicas e atividades voltadas à gestão e ao desenvolvimento dos negócios. Eveline conheceu a estrutura da matriz do Assaí e também participou de atividades em uma cozinha profissional durante uma visita à Unilever.

Para a confeiteira, a experiência também ajudou a transformar ideias que pareciam distantes em objetivos mais concretos.

“Essa semana de imersão tratou tanto da parte financeira, por meio de palestras, visitas técnicas, atividades de conexão, rodas de conversa, rodas de experiências, trocas. Então acabou que, quando a gente descobriu que não estava competindo e, sim, agregando um ao outro, mudou a perspectiva de todo mundo”, relatou.

Nova linha de bolos está nos planos

A experiência em São Paulo fez Eveline “recalcular a rota” do negócio. Entre os projetos que pretende colocar em prática está o desenvolvimento de uma linha de bolos voltada a pessoas com restrições alimentares.

Eveline Mesquita chegou à semi-final, e representa MS na disputa Foto: arquivo pessoal

A ideia surgiu depois que a própria confeiteira desenvolveu alergias e precisou adaptar a alimentação, incluindo restrições a glúten, leite e açúcar.

“Essa ideia surgiu quando eu desenvolvi alergias, glúten, leite, açúcar, entre outros, então tive que me adaptar e pensava: quantas pessoas também devem passar por isso?”, explicou.

Ela conta que já havia estudado a possibilidade de criar a linha, mas sempre considerava que não era o momento adequado. Durante uma das dinâmicas da imersão, porém, conseguiu transformar a ideia em um plano mais próximo de ser executado.

“Quando fui respondendo, estava claro!”, disse, ao lembrar da atividade em que precisava definir o que pretendia fazer nos próximos 90 dias e como começaria a colocar o plano em prática. 

A troca com os demais participantes também deixou marcas. Eveline recebeu mensagens positivas sobre o negócio e encontrou incentivo para colocar novos projetos em andamento.

“Teve outra atividade sobre feedback, percepção do outro, em que várias pessoas escreveram mensagens positivas sobre o meu negócio e início de uma nova linha. O apoio de pessoas que recém conheci”, contou.

De volta a Campo Grande com novos objetivos

Embora não tenha avançado para a última fase da etapa nacional, Eveline afirma que voltou para Campo Grande satisfeita com a experiência e com o título regional conquistado.

“Mesmo não seguindo, sendo finalista nacional, fiquei feliz e feliz pelos empreendedores que venceram”, declarou.

Para ela, a ida a São Paulo já representava uma conquista antes mesmo do resultado nacional.

“Fui para São Paulo com a sensação de que o dever foi cumprido. Sou vencedora regional, então fui como vencedora. A etapa nacional era um plus. Já me sinto realizada!”, afirmou. 

A confeiteira também destaca que a imersão superou a expectativa inicial. Ela imaginava encontrar uma programação concentrada em gestão e cálculos, mas acabou encontrando um processo de reflexão sobre o negócio e sobre os próprios objetivos.

“Fui de mente aberta para o propósito da imersão. Pensava que a imersão era focada em gestão e cálculos, coisas mais complexas, e me surpreendeu quando descobri que não era. Superou as expectativas!”, disse.

Agora, além de colocar em prática a nova linha de produtos, Eveline pretende buscar mais capacitação, participar de feiras e ampliar o contato com instituições e pessoas que possam contribuir para o crescimento da Doces Mesquita.

“Após essa semana de imersão, refleti bastante, recalculei a rota. Pretendo trazer algo que eu queria idealizar, mas se tratava de um plano a longo prazo e parecia distante”, afirmou. 

Para a confeiteira, a principal lição deixada pela experiência pode ser resumida em uma frase: “Acredite no processo”.