Os custos elevados e as dificuldades enfrentadas no dia a dia dos negócios estão deixando os comerciantes brasileiros mais cautelosos na hora de investir. Em agosto, a confiança do varejo caiu 0,6% em relação a julho e chegou ao menor nível do ano, segundo levantamento divulgado pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio ficou em 101,3 pontos. A maior piora ocorreu justamente na avaliação sobre a situação atual, que recuou 2,5% em um mês. A disposição para fazer investimentos também caiu 0,3%.

Apesar das dificuldades atuais, os comerciantes ainda demonstram confiança nos próximos meses. A expectativa em relação ao futuro avançou, principalmente quando os empresários analisam a economia e o desempenho do próprio setor. A intenção de contratar funcionários também cresceu 0,6%.

Entre os segmentos, a maior queda na avaliação do momento atual foi registrada por lojas de eletrônicos, eletrodomésticos, móveis, materiais de construção e veículos, com recuo de 4,6%. Supermercados, farmácias e lojas de cosméticos tiveram queda de 3,5%.

Segundo a CNC, os juros ainda pesam sobre empresas e consumidores. Mesmo com a expectativa de redução da Selic, a entidade avalia que os efeitos demoram a chegar ao varejo e ao bolso da população.

O cenário econômico e as incertezas dos próximos meses também ajudam a explicar a cautela dos empresários, que esperam melhora nas vendas, mas ainda encontram dificuldades para ampliar os investimentos.