O preço da cesta básica caiu em 25 das 27 capitais brasileiras em agosto, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) em parceria com a Conab. Apesar da redução, Campo Grande aparece entre as capitais em que o custo dos alimentos básicos continua mais alto, com a sexta cesta mais cara do país.

Na Capital sul-mato-grossense, a cesta custou R$ 805,13 no mês passado, uma queda de 0,49% em relação a julho. O valor ficou abaixo apenas dos registrados em São Paulo, Cuiabá, Rio de Janeiro, Florianópolis e Porto Alegre.

O levantamento mostra ainda que o custo da cesta em Campo Grande acumula alta de 3,77% desde o início de 2026. Na comparação com agosto de 2025, o aumento chega a 4,73%.

Para comprar os alimentos que compõem a cesta, o trabalhador que recebe o salário mínimo precisou dedicar 109 horas e 16 minutos de trabalho em agosto. O valor corresponde a 53,70% do salário mínimo líquido, considerando o desconto de 7,5% da Previdência Social.

Entre as 27 capitais pesquisadas, São Paulo registrou o maior valor em agosto, com uma cesta de R$ 900,59. Na sequência aparecem Cuiabá, com R$ 851,57; Rio de Janeiro, com R$ 851,19; Florianópolis, com R$ 850,90; e Porto Alegre, com R$ 839,34.

Cesta básica Foto: reprodução

Campo Grande vem logo depois, com R$ 805,13.

Na outra ponta, Aracaju apresentou o menor custo, de R$ 570,98. A capital sergipana foi seguida por Maceió, com R$ 627,45; Natal, com R$ 627,42; Salvador, com R$ 628,89; e Recife, com R$ 643,02.

A diferença entre a cesta mais cara e a mais barata chegou a R$ 329,61.

A redução no preço da cesta em agosto ocorreu principalmente devido à queda nos preços da batata, do café em pó, do tomate e do feijão em grande parte das capitais analisadas.Em contrapartida, alguns produtos registraram alta e limitaram uma redução maior do custo dos alimentos. Entre eles estão o óleo de soja, o arroz agulhinha e o leite integral.

No ranking mensal, Rio Branco apresentou a maior queda, de 4,68%, seguida por Manaus, com -4,55%, e Boa Vista, com -4,47%. Campo Grande teve uma redução mais moderada, de 0,49%. Apenas duas capitais registraram aumento no preço da cesta em agosto: São Luís, com alta de 0,78%, e Maceió, com 1,43%.

Peso da cesta no salário

Considerando todas as capitais pesquisadas, o custo da cesta básica representou uma parcela significativa da renda dos trabalhadores. O levantamento aponta que, em média, foi necessário comprometer 48,46% do salário mínimo líquido para comprar os alimentos básicos.

Em Campo Grande, porém, esse percentual ficou acima da média nacional, chegando a 53,70%.

O tempo de trabalho exigido para adquirir a cesta também varia bastante entre as capitais. Em São Paulo, onde o custo foi o maior, foram necessárias 122 horas e 14 minutos. Já em Aracaju, onde a cesta teve o menor preço, o trabalhador precisou de 77 horas e 29 minutos.

O Dieese também calcula mensalmente quanto deveria ser o salário mínimo para garantir a manutenção de uma família de quatro pessoas, considerando despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

Em agosto, tomando como referência a cesta mais cara, registrada em São Paulo, o salário mínimo necessário foi estimado em R$ 7.565,86. O valor equivale a 4,67 vezes o salário mínimo oficial de R$ 1.621.

Em agosto de 2025, o salário mínimo necessário calculado pelo Dieese era de R$ 7.147,91, quando o piso nacional estava em R$ 1.518.

Os dados mostram que, embora o custo da cesta tenha recuado na maior parte do país em agosto, Campo Grande continua entre as capitais com maior pressão dos alimentos sobre o orçamento dos trabalhadores. Na Capital, mais da metade do salário mínimo líquido foi necessária para garantir apenas os produtos que compõem a cesta básica.