Cerca de 60 indígenas terenas de Aquidauna acabaram de ocupar a sede da Funai (Fundação Nacional do Índio) de Campo Grande, no centro da cidade. Segundo informações, as reivindicações são acerca da questão fundiária e protestos pelos rumores da possível nomeação de Pastor Everaldo à presidência do órgão.

Membros do Partido Social Cristão e a bancada evangélica da Câmara dos Deputados solicitaram a nomeação de Pastor Everaldo, aliado do presidente interino Michel Temer, ao comando da Funai no final do mês de maio. O política é conhecido por ter posição conservadora em relação aos movimentos sociais. Em entrevista à Agência Brasil, Everaldo afirmou que na demarcação de terras no Brasil existe uma "desproporção em favor dos índios" e que a violência no campo se deve à falta de autoridade do Estado em manter a ordem e garantir o direito de propriedade no campo.

O Ministro interino da Justiça, Alexandre de Moraes, também declarou em recente entrevista à Folha de São Paulo que "nenhum direito é absoluto" e que reveria as portarias do Ministério. Entre as portarias que serão reanalisadas está a homologação da Terra Indígena (TI) Arara da Volta Grande do Xingu, dos povos Arara e Juruna, no município de Senador José Porfírio (PA); da TI Mapari, do povo Kaixana, nos municípios de Fonte Boa, Japurá e Tonantins (AM); e da TI Setemã, do povo Mura, em Borba e Novo Aripuanã (AM), assinadas pela presidente afastada Dilma Rousseff após semana da Mobilização Nacional Indígena, em abril deste ano. O protesto levou mais de mil indígenas de todo o país ao Acampamento Terra Livre, em Brasília.


Enquanto isso...

Hoje pela manhã se iniciou  a série de diligências solicitadas na CPI da Funai no Mato Grosso do Sul. A CPI foi criada para investigar a atuação da Funai e do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) na demarcação de terras indígenas e quilombolas.As diligências no Estado se devem à existência de grandes confrontos entre fazendeiros e indígenas na região e também porque o Comitê recebeu documentos da Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembleia Legislativa de MS que investigou o envolvimento do Cimi (Conselho Indigenista Missionário) em invasões de terras no Estado.

Criada em novembro, a CPI é controlada por deputados federais da bancada ruralista e os principais cargos da Comissão são preenchidos por apoiadores da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) nº215, que passa a responsabilidade da demarcação de terras indígenas ao Congresso Nacional e que tem como opositores os indígenas e os representantes de movimentos sociais.