As cortinas estão fechadas no leito onde ele está deitado, recebendo um banho. O cuidado e carinho da equipe já demonstram que o paciente, está em um estado delicado. Aos 17 anos, ele está vivendo um momento onde a dor física é talvez um complemento a dor emocional, já que a vida começou a ser devastada após ser vítima de uma “brincadeira” do patrão e de um colega de trabalho. O intestino teve que ser retirado, a cicatriz na barriga marcará o corpo para sempre, mas o constrangimento... Talvez vá doer mais na alma...

Após o comentário da sogra de um dos autores que ele “não estava em estado tão grave assim, por uma brincadeira”, na tentativa defender Thiago Giovanni Demarco Sena, Alessandra Moreira desmentiu até mesmo a Santa Casa, o que eu causou revolta em muitos leitores do JD1 Notícias.

Entrar lá em pronto socorro é sempre um choque. Pacientes de todas as idades, aparelhos, pinos, respiradores, choro e muitos passos apressados. Nos corredores, a atenção é voltada para atender quem realmente importa: os pacientes. A imprensa, apesar da presença constante, é só um elemento ali.

Visitamos o leito onde o adolescente está,  no setor amarelo ,considerado de tratamento intensivo. As imagens, por motivos óbvios não foram permitidas, já que além de se tratar de um menor, também é um ambiente hospitalar. No Pronto Socorro da Santa Casa a ala amarela é para pacientes graves, já que funciona como uma espécie de CTI (central de tratamento intensivo), ou seja, aqueles que precisam de mais cuidados.

A médica, criteriosa, ao saber da visita, explica que o estado de saúde dele é delicado sim, e por isso mesmo, pede que não seja feita nenhum tipo de conversa com o rapaz, até para não causar constrangimentos. Uma profissional admirável, onde você percebe no olhar que tratar alguém, não é somente os cuidados clínicos, mas também passa pela proteção, afinal, não deve ser nada fácil para um adolescente, saber que nesse momento, a mídia inteira fala que ele teve uma mangueira de ar introduzida no ânus. E que sim, sua vida mudará para sempre.

Ele é um jovem bonito, corpo franzino, e acordou quando as cortinas se abriram após o banho. Me olhou de longe, respeitei o pedido da médica, e não me aproximei, afinal, a recíproca é o que podemos dar quando alguém abre as portas para nós da imprensa.

Com os sonhos de um guri de 17 anos, ele pretendia servir o exército e o emprego no lava-jato era para ajudar a mãe em casa, já que a situação econômica apertou para a maioria dos brasileiros. O carisma e alegria dele eram tão fortes, que dizem que era popular nos colégios onde passou. E o sorriso das fotos que já vimos não nega. Sim, um jovem feliz, um adolescente como outro qualquer.

Apesar das falácias da sogra de um dos suspeitos da agressão, a situação é de observação devido a gravidade. E a dor se mistura a solidão e sofrimento, até porque nem a mãe pode ficar com ele, nesse momento tão difícil, e o setor não permite acompanhante.

E no meio desse mar de fatalidades seria possível trazer boas notícias de uma visita dessas? Sim, acreditem que sim, já que “nosso menino” está se recuperando bem, e há ainda a  chance de uma vida sem muitas seqüelas de saúde, inclusive com a possibilidade de hoje mesmo, mudar de setor hospitalar, onde a mãe poderá ficar cuidando dele. Daí para a recuperação, é um pulo, o que claro, não tira a gravidade de tudo que aconteceu.

E a Santa Casa de Campo Grande, mais uma vez se mostra grandiosa, não por abrir as portas para mostrar que sim, é um paciente grave, mas pela humanidade que um caso que virou notícia é tratado e que depois disso tudo, o importante mesmo é salvar a vida dele.

As fotos, apesar de serem proibidas, foram divulgadas pela família, por isso usamos sim uma para ilustrar, não com a intenção de chocar, mas com a intenção de fazer com que aqueles que pensam positivamente, intensifiquem os olhares, que ele, o garoto que estava vivendo o sonho do primeiro emprego, se recupere de tudo isso que lhe aconteceu.