Denúncia
Família aponta falhas após transplante de idosa em hospital da Capital
Paciente de 63 anos segue em estado gravíssimo no CTI, filha relata complicações durante internação e questiona atendimento após cirurgia
Uma família de Campo Grande denuncia possíveis falhas no atendimento após um transplante de fígado realizado em uma paciente de 63 anos, que segue em estado gravíssimo no CTI de um hospital particular da Capital. Segundo a filha, uma sequência de complicações após a cirurgia teria contribuído para a piora do quadro.
A paciente, que já tratava uma cirrose hepática em estágio avançado, foi internada no dia 16 de junho após surgir um fígado compatível para transplante. O procedimento ocorreu no dia seguinte e, segundo a família, precisou ser prolongado após uma hemorragia durante a cirurgia.
Após o transplante, a paciente foi encaminhada ao CTI, onde apresentou baixa responsividade e sonolência. Dias depois, a família foi informada sobre um quadro de pneumonia. A filha relata que, durante uma tentativa de passagem de sonda nasogástrica, houve um ferimento com sangramento e aspiração de sangue para o pulmão.
“Ela já estava com pneumonia e aspirou sangue no pulmão. A gente não ficou sabendo disso na hora, só depois falaram que tinha acontecido um pequeno sangramento”, afirmou.
Segundo a família, após ir para o quarto, a paciente passou dias sem dormir, com vômitos frequentes, dificuldade para se alimentar e muita agitação. A filha afirma que alertava a equipe sobre a piora, mas ouvia que a situação era esperada.
A família também relata que houve uma tentativa de alta hospitalar, sob a justificativa de que os sintomas poderiam estar relacionados a um “delírio hospitalar”, mas os parentes recusaram por entenderem que a paciente não tinha condições de voltar para casa.
“Ela não conseguia nem ficar em pé, não dormia e não comia. A gente achou que não tinha condição de levar”, contou.
Após nova piora, com alterações renais e respiratórias, a paciente retornou ao CTI e precisou ser intubada. A filha afirma que a família não foi comunicada imediatamente sobre o procedimento. “Atualmente ela está sedada, em estado gravíssimo e com necessidade de uma traqueostomia. É muito difícil porque a gente acredita que algumas coisas poderiam ter sido percebidas antes”, disse.
A família relata que procurou a direção do hospital em busca de esclarecimentos sobre a situação da paciente. Segundo a filha, a resposta recebida é de que o caso segue em avaliação. “Eles sempre falam que vão avaliar a situação, que estão aguardando, e a gente continua esperando. É muito difícil ficar nessa expectativa, sem saber como ela vai evoluir”, concluiu.