Violência Doméstica
Desembargadora do TJMS defende ampliação das coordenadorias da mulher em evento nacional do CNJ
Jaceguara Dantas da Silva defendeu a expansão das coordenadorias e o fortalecimento da rede de proteção às mulheres
A desembargadora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) e conselheira do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Jaceguara Dantas da Silva, defendeu na terça-feira (2), durante o Encontro Nacional das Coordenadorias da Mulher, promovido pelo Conselho Nacional de Justiça, que as estruturas locais são fundamentais no enfrentamento à violência de gênero no país.
Ela também atua como ouvidora Nacional da Mulher e reforçou que o modelo precisa ser ampliado nos estados como canal direto de escuta e apoio às vítimas. “Essa violência assumiu uma dimensão muito impactante na nossa sociedade, pois atinge direitos como a integridade física, psicológica, material, patrimonial, moral e sexual e, em sua forma mais grave, retira o bem jurídico mais importante que temos, que é a vida”, declarou.
O evento contou com a presença do presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, que reforçou o papel das coordenadorias locais como ponte direta entre o Judiciário e a população feminina.
“Nossa missão é chegar antes que o luto se instaure, para que, no Brasil, o feminicídio deixe de ser realidade cotidiana e passe a ser memória de um tempo que esse país teve a coragem de superar”.
Fachin destacou ainda que, embora a Lei Maria da Penha represente avanços importantes, a violência contra a mulher segue como uma das mais graves violações de direitos humanos no país. Ele citou dados da Pesquisa Datafolha apontando que esse tipo de violência é considerado o crime mais grave pela população, acima do tráfico de drogas e do assalto à mão armada.
DADOS
Segundo o Painel de Monitoramento da Violência Contra a Mulher, do CNJ, foram analisados cerca de 955 mil pedidos de Medidas Protetivas de Urgência (MPU) em 2025, com aproximadamente 630 mil deferimentos.
“Embora o prazo legal de análise [das medidas protetivas] seja de 48h, em 2020, o tempo médio era de 16 dias. Felizmente, hoje, 53% são analisadas no mesmo dia”.
Mesmo com a melhora no tempo de resposta, o presidente do CNJ alertou para o volume de processos ainda em tramitação.
“Temos ainda cerca de 1,3 milhão de processos pendentes de julgamento. Atrás de cada número, há uma história interrompida; uma família em ruptura; uma rede de afetos partida; uma incidência grave contra as mulheres”, lembrou.
A presidente do Colégio de Coordenadores da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Poder Judiciário Brasileiro (Cocevid), Vanja Fontenele Pontes, também destacou a necessidade de fortalecimento estrutural das coordenadorias.
“Queremos fortalecer campanhas nacionais, destacando que o enfrentamento à violência contra a mulher exige visibilidade, união e mudança cultural”, afirmou.
JD1 No Celular
Acompanhe em tempo real todas as notícias do Portal, clique aqui e acesse o canal do JD1 Notícias no WhatsApp e fique por dentro dos acontecimentos também pelo nosso grupo, acesse o convite.