Tribunal do Júri
Acusado de matar a esposa vai a júri popular por feminicídio em Campo Grande
Jussara Gimenez Pereira dos Santos morreu após ser baleada dentro de uma caminhonete; defesa alega disparo acidental
Alfredo Netto senta no banco dos réus nesta terça-feira (16) para ser julgado pelo Tribunal do Júri pela morte da própria esposa, Jussara Gimenez Pereira dos Santos, de 60 anos. O crime aconteceu em 26 de setembro de 2024, nas proximidades do Detran-MS, às margens da MS-080, em Campo Grande.
O caso é tratado como homicídio qualificado pelo feminicídio e tramita sob sigilo na 1ª Vara do Tribunal do Júri. Conforme consta, Alfredo Netto e Jussara mantinham um relacionamento há cerca de 30 anos e tinham três filhos, sendo dois em comum.
Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o casal estava em uma caminhonete Fiat Strada quando ocorreu uma discussão. Durante o desentendimento, Alfredo Netto teria efetuado um disparo de arma de fogo contra a vítima.
Ainda de acordo com a acusação, após o tiro, Jussara foi levada para a Santa Casa de Campo Grande, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na unidade hospitalar.
Para o MPMS, o crime ocorreu em contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher. A denúncia sustenta que o acusado praticou o homicídio qualificado pelo feminicídio em razão da relação afetiva existente entre autor e vítima, caracterizando violência baseada no gênero feminino.
Durante a investigação policial, Alfredo Netto negou ter efetuado o disparo contra a esposa. Em seu primeiro relato, afirmou que havia dito à vítima que pretendia tirar a própria vida e que, ao tentar impedi-lo, ela puxou uma almofada onde a arma estava guardada, momento em que teria ocorrido o disparo acidental. Ele também negou que tenha havido discussão entre os dois na data dos fatos.
Posteriormente, durante interrogatório judicial, o acusado manteve a negativa de autoria, mas apresentou uma nova versão. Segundo declarou, Jussara questionou o motivo de ele estar com uma arma. Ao tentar pegar o objeto que estava no console do veículo, a vítima teria se antecipado, apanhado a arma e o disparo teria ocorrido acidentalmente contra ela mesma.
O caso será analisado pelo Conselho de Sentença do Tribunal do Júri, responsável por decidir se acolhe a tese sustentada pela acusação ou a versão apresentada pela defesa.
Defesa fala em "tragédia" e pede respeito ao devido processo legal
A defesa de Alfredo Netto é conduzida pelo advogado Ivan Hildebrand Romero. Ao comentar o julgamento, o causídico classificou o caso como uma "tragédia" e afirmou que a expectativa é de que o processo seja conduzido com respeito às garantias legais.
"Não temos muito como falar em expectativas, devido à tragédia que já vem anunciada, a morte de uma mãe, uma esposa, uma irmã amada por todos da família. Do outro lado, um assistido que sofre uma acusação injusta. Entretanto, o mínimo que se espera neste processo é que o devido processo legal seja respeitado e que a justiça seja aplicada", declarou o advogado.
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