Justiça
Defesa de Carlos Bernardo rebate suspeitas após operação da PF em fazenda
Nota sustenta que candidato não tem relação com irregularidades investigadas nem com armas encontradas em propriedade de Porto Murtinho
O candidato a deputado federal Aparecido Carlos Bernardo, alvo de uma operação da Polícia Federal em uma propriedade rural na região de Porto Murtinho, negou por meio da defesa qualquer envolvimento com irregularidades trabalhistas ou com as armas apreendidas durante a ação. A defesa afirma que ele não frequenta o imóvel há mais de seis meses e diz que aguarda acesso integral à investigação.
A operação foi realizada na quinta-feira (17), em conjunto com o Ministério do Trabalho e Emprego. Segundo as informações divulgadas pela PF, 23 trabalhadores foram encontrados em situação trabalhista irregular e 14 armas de fogo foram apreendidas. A investigação apura indícios de recrutamento informal de estrangeiros, possível retenção de pagamentos e restrições à saída dos trabalhadores da propriedade.
Em nota assinada pelo advogado Luiz Renê Gonçalves do Amaral, a defesa afirma que ainda não teve acesso a todos os elementos reunidos na investigação e sustenta que Carlos Bernardo não praticou ou permitiu qualquer conduta contra os trabalhadores.
“Carlos Bernardo não praticou, não ordenou, não tolerou e jamais toleraria qualquer conduta atentatória à dignidade da pessoa humana, de seus funcionários ou colaboradores, nem qualquer prática delitiva em suas propriedades”, diz trecho da manifestação.
A defesa também descreve as condições que, segundo ela, são oferecidas aos funcionários. A nota afirma que a propriedade mantém quase 30 trabalhadores, com quatro refeições diárias, limpeza, estrutura sanitária, alojamentos climatizados, banheiros independentes e períodos de descanso.
“Não há, nesse retrato, espaço para sequer se conjecturar exploração laboral”, afirma. Sobre as armas encontradas durante a operação, a defesa sustenta que elas não pertencem ao candidato nem a seus familiares e que a responsabilidade sobre cada uma deverá ser esclarecida durante a investigação.
Patrimônio declarado
Carlos Bernardo disputa uma vaga de deputado federal nas Eleições 2026 e declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 28.724.793,49. A maior parcela está concentrada em um rebanho de 4.544 cabeças de gado, avaliado em R$ 18,4 milhões. A relação também inclui participações em empresas, aplicações financeiras, consórcios, dinheiro em espécie e veículos.
Entre os veículos chama atenção uma Volkswagen Saveiro 1.6 CE Cross declarada por R$ 25 mil. A declaração disponibilizada não informa o ano do automóvel, o que impede uma comparação direta. Como referência, uma Saveiro 1.6 CE Cross ano 2012 aparece em levantamento baseado na tabela de 2026 com valor venal em Mato Grosso do Sul de cerca de R$ 46 mil, diferença de aproximadamente R$ 21 mil em relação ao valor declarado pelo candidato.
Outro bem é um Ford Cargo 2422, informado por R$ 50 mil. Nesse caso, o ano também faz uma diferença: a referência FIPE de setembro de 2026 para o modelo varia de R$ 45.995, no ano-modelo 1993, a R$ 244.624, no 2012.
Na manifestação, a defesa relaciona a repercussão do caso ao período eleitoral e afirma que o candidato é o maior interessado no esclarecimento dos fatos. “Quem nada tem a esconder não teme a investigação; teme apenas o julgamento antecipado, feito às pressas, fora dos autos e em plena disputa eleitoral”, afirma a nota.
O advogado ainda argumenta que a fazenda está em uma região isolada da fronteira, entre os rios Apa e Paraguai, e cita problemas de segurança enfrentados por produtores rurais. Segundo a defesa, Carlos Bernardo continuará colaborando com as autoridades e espera que a investigação individualize eventuais responsabilidades.