Em 1974, o poeta Ferreira Gullar encontrava-se em Buenos Aires, vivendo na clandestinidade, quando viu que preparavam um golpe militar no país portenho, tendo Peron falecido. O poeta, em 1971, havia fugido do país via terrestre para o Uruguai, quando a polícia descobriu que o mesmo era dirigente do Partido Comunista Carioca, morando no Chile de Salvador Allende, em Lima e depois em Buenos Aires, onde não foi preso por sorte, após os militares tomarem o poder, não saindo do país em razão do seu passaporte estar vencido. Em 1977 foi absolvido pelo Supremo Tribunal e voltou ao Brasil.

Um cidadão sem passaporte no exterior é “um nada”, uma pessoa que perde toda sua identidade e seus direitos de estrangeiro. Alguns conseguem um passaporte de exilado ou refugiado, mas são casos raros de passaporte “preto”. Quando um país,  para de emitir o documento “passaporte”, então temos a dura realidade de uma má administração e o exílio interno, proibindo tacitamente as pessoas de “ir e vir”, de saírem do país e retornarem quando quiserem.

Ocorreu nesta semana que passou, da Polícia Federal anunciar que iriam receber pedidos de passaporte, mas não iriam emitir, dado que, não tem o documento em mãos para entregar ao cidadão. Absurdo!? Muito absurdo! O fato foi noticiado como algo normal, quando não o é. Sem passaporte as pessoas não podem viajar, e o pior, não estagna o comércio e a vida das pessoas, proibindo empresários, professores, estudantes e todos que viajam ao exterior para algum fim exclusivo que não seja lazer. E o que não dizer de quem comprou uma passagem, pagou à prestação, as férias sonhadas e é impedido de viajar por falta de passaporte? Simplesmente ridículo!

O governo Federal anunciou que irá determinar a compra de passaporte à Casa da Moeda, mas que irá retirar verbas da Educação. Bela solução! E o pior de tudo é que o passaporte é pago pelo requerente, e caro. Assim não justifica esta falta do documento, que irá atrapalhar a vida de muitas pessoas.

Mas, o gigante adormecido e administrado por tartarugas, demora para ter uma solução prática de um problema, e sequer cogitaram em prorrogar por mais 12 meses os passaportes já emitidos, usando a folha em branco para “anotações” nos mesmos. Ou seja: quem tinha que viajar e estava esperando o novo passaporte, ficou impedido, quando um ato simples e prático, podia ter resolvido o problema.

Este é o Brasil, da burocracia medonha, da formalidade estúpida, da falta de praticidade em tudo, tornando um país vagaroso, demasiadamente chato de se viver, em uma vida simples. No país onde você tem vários documentos para requerer(tirar), não conseguiram até hoje, simplificar a vida do cidadão. Existe a Identidade que você pede a emissão na Secretaria de Segurança, que dias atrás estava também sem emitir, por falta de uma gestão eficiente do governo do Estado, que fala muito e  faz pouco.

Após tirar a identidade você tem que requerer o CPF junto à Receita, que volta e meia lhe informa que estão bloqueando ou suspendendo por obrigações de informações, muitas vezes desnecessária. E tem o Título de Eleitor, o PIS/PASEP, a Carteira de Trabalho, a Carteira Profissional do profissional liberal, a Carteira de Habilitação, e, a carteira vazia (esta hoje, na maioria dos bolsos dos brasileiros).

A falta de praticidade leva a emissão destes documentos em órgãos públicos diferentes e uma carga de burocracia em quase todos eles, precisando o cidadão mostrar e demostrar o registro de nascimento, e outros documentos, porém, a falta de emissão de qualquer destes documentos pelo órgão público, nunca é taxado como falta grave do administrador, e sim para nós cidadão comum, que sem estes documentos, ou sem o passaporte no exterior, sofremos as consequências. Muda Brasil!!!