A possibilidade de uma aliança entre a federação formada por União Brasil e PP e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para as eleições de 2026 segue distante. Nos bastidores, o principal entrave é a resistência do presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), que mantém posição contrária a um acordo com o parlamentar do PL.

De acordo com interlocutores da federação, o desgaste entre os dois políticos começou após a operação da Polícia Federal que teve Ciro como alvo, em maio. Na ocasião, Flávio classificou as acusações como "graves". Dias depois, quando vieram à tona áudios envolvendo o senador do PL e o empresário Daniel Vorcaro, Ciro reagiu afirmando que, caso houvesse culpa, a punição deveria ser aplicada.

Como União Brasil e PP atuam em conjunto por meio de uma federação, qualquer decisão sobre apoio presidencial precisa ser construída pelos dois partidos. Embora dirigentes do União Brasil não apresentem objeções à aproximação com Flávio, a posição de Ciro tem impedido o avanço das conversas.

Outro fator é a ausência de negociações formais. Até o momento, a campanha de Flávio Bolsonaro não procurou os dirigentes da federação para discutir uma eventual composição. A avaliação interna é de que o PL trabalha com a possibilidade de lançar uma chapa formada exclusivamente por integrantes do partido, incluindo o vice.

Dirigentes também observam o cenário eleitoral antes de tomar uma decisão. Apesar de apontarem recuperação parcial de Flávio após o desgaste provocado pela divulgação dos áudios, a leitura predominante é que a federação deve adotar uma posição de neutralidade, ao menos neste momento.

Uma eventual aliança ampliaria o tempo de propaganda eleitoral da candidatura do PL. Sem o apoio da federação, Flávio teria menos espaço em rádio e televisão do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com a composição, esse quadro seria revertido.