Política
Candidaturas indígenas crescem, mas representação política ainda é baixa em MS, aponta Observatório
Em Mato Grosso do Sul, apenas 41 dos 676 candidatos conseguiram se eleger entre 2014 e 2024
Apesar de Mato Grosso do Sul abrigar a terceira maior população indígena do Brasil, a presença desses povos na política ainda está abaixo da representatividade demográfica. Levantamento do Observatório da Cidadania de Mato Grosso do Sul (OCMS) mostra que, entre 2014 e 2024, o Estado registrou 676 candidaturas indígenas, o equivalente a 2,7% do total de candidatos nas eleições municipais e gerais.
O percentual é superior à média nacional. No mesmo período, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contabilizou 1.602.625 candidaturas em todo o país, das quais 6.913 foram de pessoas autodeclaradas indígenas, representando apenas 0,43% do total.
Os dados também revelam que a eleição de candidatos indígenas ainda é um desafio. Em Mato Grosso do Sul, apenas 41 dos 676 candidatos conseguiram se eleger entre 2014 e 2024. Todos conquistaram vagas em câmaras municipais, nos municípios de Amambai, Antônio João, Caarapó, Coronel Sapucaia, Dois Irmãos do Buriti, Douradina, Japorã, Miranda, Nioaque, Paranhos, Porto Murtinho, Sidrolândia e Tacuru.
Em nível nacional, o cenário é semelhante. Dos 6.913 candidatos indígenas, apenas 654 foram eleitos no período, índice inferior a 10%, evidenciando a dificuldade em transformar candidaturas em representação efetiva nos poderes Legislativo e Executivo.
Segundo o Observatório, o levantamento reforça a necessidade de ampliar a produção e o acesso a informações sobre os povos originários para subsidiar políticas públicas e fortalecer a participação política. Para isso, o OCMS disponibiliza o Painel Povos Originários, plataforma gratuita que reúne indicadores sobre população, educação, saúde, território, trabalho e renda dos povos indígenas em Mato Grosso do Sul.
Criado em 2024, o Observatório da Cidadania de Mato Grosso do Sul é um programa da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), desenvolvido em parceria com a Secretaria de Estado da Cidadania (SEC/MS) e com apoio da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul (Fundect).