Mato Grosso do Sul
Candidato do PT expõe falta de recursos e desigualdade dentro do partido em MS
Aaron Salles afirma que recebeu R$ 0 para a campanha e diz haver candidatos da mesma nominata com valores milionários
Candidato a deputado estadual em Mato Grosso do Sul pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Aaron Salles Torres criticou duramente a própria sigla após afirmar que foi chamado para disputar o cargo, mas não terá aporte financeiro para sua campanha.
Aaron chegou a anunciar, em carta, sua renúncia à candidatura, mas decidiu reconsiderar a medida após ser procurado por diversas pessoas e diferentes setores da sociedade cujas pautas afirma representar historicamente, entre eles cultura, população LGBT+, meio ambiente, mães atípicas, idosos, juventude, direitos humanos, causa animal e outros segmentos da sociedade civil.
Segundo o candidato, essas pessoas pediram que ele não abrisse mão da candidatura. “Minha candidatura não pertence exclusivamente a mim”, afirmou.
Nas críticas ao PT, Aaron afirmou que receber R$ 0,00 de recursos eleitorais não significa simplesmente receber menos dinheiro, mas ficar sem condições mínimas para realizar atividades elementares de uma campanha.
O candidato também afirmou ter conhecimento de uma situação de “enorme disparidade” entre candidaturas da mesma nominata na distribuição do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). Segundo ele, há candidatos que receberam ou poderão receber valores milionários, enquanto outros receberam R$ 0,00.
“Por isso, uma disparidade extrema não deve ser tratada simplesmente como uma questão de preferência administrativa. Ela precisa ser explicada politicamente, demonstrada documentalmente e confrontada com os critérios objetivos que o próprio partido estabeleceu”, declarou.
Ao explicar a decisão de reconsiderar a renúncia, Aaron afirmou que os problemas que o levaram a anunciar a saída da disputa não desapareceram.
“Ao solicitar que minha renúncia seja desconsiderada, não estou dizendo que os problemas que me levaram a renunciar desapareceram. Ao contrário. Estou dizendo que decidi dar ao Partido dos Trabalhadores uma oportunidade de corrigi-los”, afirmou.
Aaron disse esperar que o PT encontre condições financeiras mínimas para que possa concorrer. Segundo ele, os recursos são necessários para deslocamento, comunicação, produção de conteúdo, presença territorial e mobilização.
“Preciso de recursos para trabalhar, inclusive como contrapartida à estrutura política que o partido pretende construir”, declarou.
O candidato afirmou ainda que precisa de condições para transformar sua trajetória profissional e sua notoriedade anterior em votos.
“E preciso, sobretudo, que o Partido compreenda que R$ 0,00 não é uma estratégia eleitoral para uma candidatura de primeira eleição. É a ausência de uma estratégia e de uma campanha”, afirmou.
Outro Lado - O JD1 Notícias procurou o Partido dos Trabalhadores (PT) de Mato Grosso do Sul em busca de um posicionamento sobre a distribuição de recursos para as campanhas de seus candidatos, especialmente diante das declarações de Aaron Salles Torres, e aguarda retorno da sigla.
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