O deputado estadual João Henrique Catan (Novo), candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul, apresentou durante a durante a sabatina Frente a Frente – Eleições 2026, as propostas para áreas como saúde, segurança, educação, meio ambiente e economia  Entre as medidas, defendeu uma tabela estadual do SUS para ampliar atendimentos e prometeu valorização das forças policiais e investimento em tecnologia. 

Ao ser questionado o porquê quer ser governador, Catan afirma que cansou de ver “a velha política” ditar as regras do Estado, e destacou dois mandatos como deputado estadual. “Cansei de ver ditarem as regras na assembleia legislativa, enquanto a gente ve faltando, saúde, faltando, segurando. Era preciso alguém levantar a cabeça”.

MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE

Ao responder ao JD1 sobre se pretende estabelecer regras ambientais mais rígidas para proteger o Pantanal e o Cerrado, Catan afirmou que pretende manter a legislação vigente e incentivar economicamente quem preserva. O candidato também relacionou a redução do rebanho bovino ao aumento do material orgânico disponível para queimadas no Pantanal. “O que nós vamos fazer é instituir verdadeiramente um programa de PSA, de Pagamento por Serviços Ambientais. Aquele que preserva deve receber um incentivo”, afirmou.

Questionado se suspenderia ou negaria uma autorização diante de risco ambiental provocado por determinada atividade econômica. O candidato respondeu que pretende manter as regras atuais de licenciamento. “Nós vamos estar voltados à produção. No lugar de proibir, de punir, nós vamos remunerar através de prestação de serviços ambientais. [...] Aquele que preserva vai receber por estar preservando. E as licenças, a legislação, nós vamos deixar como está”, declarou.

Ao ser questionado pelo SBT MS sobre a burocracia estatal que, na visão do Novo, dificulta a atividade produtiva, Catan citou o processo para obtenção de licenças e prometeu digitalizar serviços. “Nós vamos levar isso tudo para dentro da palma da mão. A inteligência artificial, os programas, o software de computador. Hoje, o cara que não tem na mão a resposta no telefone está fora do mercado e vai estar fora do meu Estado”, disse.

ARRECADAÇÃO E FINANÇAS PÚBLICAS

Ao responder ao Correio do Estado sobre quais impostos reduziria e quais incentivos fiscais pretende rever, João Henrique Catan afirmou que uma das prioridades seria revisar os benefícios concedidos pelo Estado. O candidato criticou o crescimento da renúncia de receita e disse que pretende direcionar incentivos principalmente para pequenos e médios produtores. “É um absurdo um Estado como Mato Grosso do Sul pegar o candidato Riedel, recebendo o Estado com R$ 4 bilhões de renúncia de receita, elevar para R$ 11 bilhões e projetar, em 2028, para o próximo governador uma renúncia de R$ 13 bilhões”, declarou.

Sobre quais alíquotas efetivamente poderiam ser reduzidas, Catan citou o ICMS e criticou a forma como a pauta fiscal é aplicada. “Nós vamos acabar com o imposto garantido e com a pauta fiscal realizada com o intuito apenas de arrecadar. Nós temos uma reforma tributária e vamos brigar, como governador do Estado de Mato Grosso do Sul, para que haja uma contrarreforma, para que o Estado tenha autonomia federativa”, afirmou.

Questionado pelo Campo Grande News sobre os impactos da reforma tributária e a possibilidade de Mato Grosso do Sul perder recursos com as novas regras, Catan defendeu uma política econômica liberal e rejeitou a possibilidade de aumentar a carga tributária. “Eu acredito que já chegou ao ponto em que o cidadão não aguenta mais pagar impostos. Vá dentro do comércio, olhe as lojas, olhe o varejo. Está difícil”, disse.

 

EDUCAÇÃO

Questionado por A Crítica sobre como pretende atender o aumento de estudantes com autismo na rede de ensino sem comprometer o orçamento, Catan citou sua experiência com ações relacionadas às pessoas com deficiência e defendeu que as famílias sejam ouvidas na formulação das políticas públicas. “Eu tenho uma lei chamada Cadastro da Pessoa com Deficiência, que já está implementada e que o governador, o candidato Riedel, não implementa para poder entender as demandas dessas pessoas e devolver isso em serviço, como se fosse uma política pública contínua em Mato Grosso do Sul”, afirmou.

Catan criticou a estrutura das escolas e os índices de aprendizagem e afirmou que pretende modificar a gestão da rede. “Não tem computador, não tem aula diferente. Os professores não são avaliados, não tem autoavaliação. Em qualquer escola particular, hoje, o próprio aluno avalia o seu professor”, disse. O candidato ainda prometeu intercâmbios para estudantes, escolas cívico-militares e escolas charter.

Ao responder à TV Guanandi sobre qual resultado pretende entregar ao final dos quatro anos de mandato, Catan afirmou que a prioridade será tornar a escola pública mais atrativa. “Nós precisamos dar condições para modernizar, ajudar a capacitar mais os professores, reconhecendo, dando equiparação salarial para eles, criando programas que levem os jovens para fora do país para estudar”, declarou. Ele também prometeu ampliar o uso de tecnologia e disponibilizar computadores e celulares aos estudantes.

SAÚDE

Ao ser questionado pela TV Guanandi sobre onde seria possível economizar na saúde sem prejudicar os atendimentos, Catan apontou o combate a desvios de recursos e defendeu a criação de uma tabela estadual do SUS. “Nós vamos criar como solução uma tabela estadual do SUS que vai remunerar de acordo com a quantidade de leitos, de acordo com a quantidade de especialidades”, afirmou. O candidato também comparou os recursos destinados ao Hospital Regional e à Santa Casa de Campo Grande.

Sobre como seria medida a qualidade do atendimento e se hospitais que produzissem mais necessariamente receberiam mais. Catan voltou a usar o Hospital Regional como exemplo e explicou alguns dos critérios que pretende adotar. “Nós vamos calcular de acordo com a produtividade, com a quantidade de especialistas, com a quantidade de leitos. Como pode a Santa Casa ter 700 leitos e receber R$ 9 milhões, enquanto o Hospital Regional tem aproximadamente 300 leitos e recebe R$ 60 milhões todos os meses?”, questionou.

Ao Correio do Estado, Catan foi questionado sobre quanto custaria a promessa de zerar em 12 meses as filas de consultas, exames e cirurgias, inclusive utilizando horários ociosos de hospitais particulares. O candidato não apresentou um valor, mas afirmou que a tabela estadual serviria como referência para remunerar esses atendimentos. “Eu prefiro que uma pessoa que esteja passando por dificuldade faça na madrugada, mas resolva, com um custo menor para o Estado, remunerado pela tabela que nós vamos criar de referência, do que ela fique aí 25 anos, 28 anos, como tem cidadão que esperou e morreu na fila para fazer uma cirurgia ou um exame”, declarou.

SEGURANÇA PÚBLICA

Questionado pelo SBT MS sobre a população em situação de rua e a ocorrência de furtos, principalmente de fios, Catan defendeu investigações para identificar organizações criminosas que, segundo ele, utilizam pessoas vulneráveis para cometer crimes. O candidato também prometeu melhorar a remuneração e as condições de trabalho dos policiais. “É combater o crime como um todo, valorizar a tecnologia, a utilização dela, a investigação verdadeira, dando condições para a minha polícia trabalhar de maneira digna e valorizada”, afirmou.

Ao falar sobre os caminhos para enfrentar a situação das pessoas que vivem nas ruas, Catan disse concordar com uma política integrada. “É todo um contexto. Você citou a população de rua, mas tem as mulheres, tem o feminicídio, tem todos esses índices que nós estamos vendo que acontecem por falta de uma política integrativa, preventiva”, declarou. Segundo ele, a intenção é reduzir a estrutura administrativa para direcionar recursos a essas políticas.

Ao responder A Crítica sobre como pretende ampliar a segurança na fronteira de Mato Grosso do Sul com Paraguai e Bolívia, Catan citou episódios de violência na região e prometeu investir em tecnologia e valorização das forças policiais. “A polícia vai receber valorização, tecnologia e total condição para enfrentar bandido”, afirmou.

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

Questionado pelo Campo Grande News sobre se o desenvolvimento econômico deve ser conduzido pelo mercado ou induzido pelo governo, Catan afirmou que o Estado deve participar quando a iniciativa privada não consegue atender determinadas necessidades. Entre as propostas, citou a criação de uma agência estadual de mineração e de estruturas públicas para produção de concreto e asfalto. “Nós vamos induzir, nós vamos criar. Sabe o que é uma agência estadual de mineração? Uma usina de concreto, uma usina de asfalto e uma empresa pública que vai ter máquinas específicas para recuperar a malha viária”, explicou.

Catan afirmou que a precariedade das rodovias aumenta os custos de produção e voltou a criticar a política de incentivos fiscais. “Os incentivos fiscais estão na ordem de quase 50% daquilo que a gente arrecada, sem qualquer transparência. [...] A Assembleia Legislativa não conhece quem são os beneficiários de R$ 11 bilhões”, declarou.

Ao responder ao JD1 sobre a falta de mão de obra qualificada e como pretende integrar capacitação profissional, parques tecnológicos e incubadoras, Catan afirmou que grandes empresas beneficiadas por incentivos precisam oferecer contrapartidas. “Todos os anos, o candidato Riedel toma do orçamento aproximadamente R$ 11 bilhões, agora projeta R$ 13 bilhões, arrecada R$ 27 bilhões e não explica qual é a contrapartida que essas empresas que recebem esses incentivos têm para poder receber. Como vão devolver? Quem eles vão capacitar?”, questionou. Para Catan, a chegada de grandes empreendimentos também precisa resultar em qualificação profissional e investimentos nos municípios.