Política
Lula diz na ONU que Brasil não vai ceder a pressões para privatizar Pix
Presidente defendeu o sistema de pagamentos como infraestrutura pública e criticou tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (22), durante o discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, que o Brasil não pretende ceder a pressões para alterar o modelo do Pix.
“Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso Pix”, declarou. Lula classificou a ferramenta como uma infraestrutura pública e gratuita que ampliou o acesso aos serviços financeiros no país.
A declaração ocorre em meio à disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) incluiu o Pix entre os temas analisados em uma investigação sobre práticas brasileiras relacionadas ao comércio digital e aos serviços de pagamentos eletrônicos. Em junho, o órgão afirmou que determinadas políticas brasileiras relacionadas ao Pix seriam prejudiciais à concorrência de empresas norte-americanas.
Em julho, o governo norte-americano anunciou uma tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros após a conclusão da investigação conduzida pelo USTR. O órgão citou, entre outros pontos, questões relacionadas ao comércio digital e aos serviços de pagamentos eletrônicos.
A defesa do Pix apareceu no discurso de Lula durante um trecho em que o presidente também criticou o mercado de apostas esportivas. Segundo ele, a indústria de bets transforma o vício em fonte de lucro e o Brasil não deve tolerar esse modelo de negócio.
Tarifas e economia
Lula também criticou o uso de tarifas como instrumento de pressão nas relações comerciais internacionais. Ao abordar o cenário da economia mundial, afirmou que a Organização Mundial do Comércio (OMC) enfrenta dificuldades e alertou para as consequências de governos que cedem a medidas tarifárias utilizadas como instrumento de pressão.
“Apostamos na melhoria da produtividade, na ampliação do crédito e na construção de uma rede robusta de proteção social. O Brasil voltou a crescer de modo sustentado. Somos o terceiro maior destino de investimento estrangeiro direto. Apesar do tarifaço contra nossa economia, este ano bateremos novo recorde de exportações”, afirmou.
A investigação do USTR sobre o Brasil foi iniciada em julho de 2025 e envolveu temas como comércio digital, serviços de pagamentos eletrônicos, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
Além da tarifa de 25%, os Estados Unidos também adotaram em julho medidas tarifárias relacionadas à importação de produtos associados ao trabalho forçado. O USTR informou que a medida alcançou 60 economias e foi baseada em investigações específicas sobre a adoção e fiscalização de proibições à entrada desses produtos no mercado norte-americano.
No discurso, Lula relacionou a defesa do Pix à soberania econômica brasileira e afirmou que o país continuará buscando ampliar o acesso da população aos serviços financeiros por meio de uma infraestrutura pública de pagamentos.