Política
Título impresso não é obrigatório e 'colinha' pode entrar; entenda as regras de votação
A orientação é conferir com antecedência o local e a seção eleitoral para evitar imprevistos
Com 2.024.884 milhões de sul-mato-ghrossenses aptos a votar neste domingo (4), o primeiro turno das Eleições 2026 definirá deputados estaduais, deputados federais, dois senadores, e pode definir os governadores e o presidente da República. Com seis escolhas para fazer na urna, o eleitor precisa ficar atento aos horários, documentos, ordem dos cargos e às regras sobre o que pode ou não ser feito no dia da eleição.
A votação começa às 7h e termina às 16h, uma hora a menos que o horário de Brasília. Quem já estiver na fila no momento do fechamento poderá votar normalmente. A orientação é conferir com antecedência o local e a seção eleitoral para evitar imprevistos.
O que levar para votar
Não é obrigatório apresentar o título de eleitor impresso. Para votar, basta levar um documento oficial com foto, como RG, CNH, passaporte, carteira de trabalho, certificado de reservista ou carteira profissional reconhecida por lei. O documento pode ser aceito mesmo que esteja com a validade vencida, desde que permita identificar o eleitor, ou seja, precisa ter foto. Certidões de nascimento ou casamento não servem para identificação.
Outra opção é utilizar o e-Título. Para substituir o documento de identificação, porém, o aplicativo precisa apresentar a foto do eleitor. Se o e-Título estiver sem foto, será necessário apresentar outro documento oficial.
Dessa vez, diferente de eleições anteriores, o TSE informou que o e-Título poderá ser baixado inclusive no dia da votação. Pelo aplicativo também é possível consultar zona, seção e endereço do local de votação, além de acessar serviços eleitorais.
Quem está com o título regular pode votar mesmo que ainda não tenha realizado o cadastramento biométrico. Já quem está com o título cancelado não poderá participar da votação.
Seis votos
O uso de uma 'colinha', anotada em papel com os números dos candidatos é permitido e recomendado pela própria Justiça Eleitoral.
A ordem será: deputado federal, deputado estadual ou distrital, senador para a primeira vaga, senador para a segunda vaga, governador e, por último, presidente. A urna exibirá informações como nome, fotografia, cargo e partido para que o eleitor confira os dados antes de confirmar o voto. Atenção: não vale tentar votar duas vezes no mesmo senador, caso ocorra, o segundo voto será anulado, e apenas o primeiro irá ser válido e a votação seguirá para a escolha do governador.
Celular não entra na cabine
O celular pode ser levado até a seção eleitoral, mas não pode acompanhar o eleitor até a cabine. Antes de votar, o aparelho deverá ser deixado no local indicado pelos mesários. A mesma proibição vale para máquinas fotográficas, filmadoras e outros equipamentos capazes de registrar o voto.
Camiseta, adesivo ou bandeira
Pode, desde que a manifestação seja individual e silenciosa. O eleitor pode comparecer ao local usando camiseta, broche ou adesivo de candidato, partido, federação ou coligação e também portar bandeira.
O que não pode é transformar a manifestação individual em ato coletivo. Até o fim da votação, são proibidas aglomerações de pessoas com roupas padronizadas ou instrumentos de propaganda que caracterizem manifestação conjunta. Também não é permitida a distribuição de camisetas no dia da eleição.
Boca de urna é crime
Pedir voto no domingo, distribuir santinhos, abordar pessoas para tentar influenciar a escolha, utilizar alto-falantes, realizar comícios ou carreatas e promover propaganda eleitoral são condutas proibidas.
A prática pode ser penalizada com detenção de seis meses a um ano, com possibilidade de substituição por prestação de serviços à comunidade pelo mesmo período, além de multa.
Na internet, também é proibida, no dia da eleição, a publicação de novos conteúdos de propaganda eleitoral e o impulsionamento. Materiais publicados anteriormente podem continuar disponíveis.
Irregularidades relacionadas à propaganda podem ser denunciadas pelo aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral. Denúncias de crimes eleitorais também podem ser encaminhadas à polícia, ao Ministério Público Eleitoral e aos canais disponibilizados pelos tribunais eleitorais.
Quem tem prioridade
Pessoas com mais de 80 anos têm prioridade sobre os demais eleitores, independentemente da ordem de chegada. Pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida também contam com medidas de acessibilidade e podem ser auxiliadas por alguém de sua escolha, quando necessário.
As urnas possuem recursos como áudio, teclado em Braille e intérprete de Libras, além da possibilidade de utilização de fones descartáveis. O acesso acompanhado de cão-guia também é permitido.
Transporte
Em Campo Grande, pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida ainda podem solicitar transporte especial gratuito para a votação. O pedido deve ser feito até as 18h desta sexta-feira (2) e depende de autorização da Justiça Eleitoral.
Precisa trabalhar no domingo?
O eleitor que precisar trabalhar no dia da eleição tem direito de se ausentar pelo tempo necessário para exercer o voto. A legislação estabelece que esse período deve ser assegurado sem prejuízo ao trabalhador.
Também está em vigor a regra que restringe a prisão de eleitores. Desde as 16h de terça-feira (29) até as 16h de terça-feira (6), o eleitor não pode ser preso ou detido, salvo em flagrante delito, por sentença criminal condenatória por crime inafiançável ou por desrespeito a salvo-conduto.
Justificativa
Quem estiver fora do município onde vota poderá justificar a ausência no próprio domingo. Uma das formas é pelo e-Título, das 7h às 16h. Também será possível apresentar o Requerimento de Justificativa Eleitoral nas mesas receptoras destinadas ao serviço.
Quando a justificativa é feita no dia da eleição, não é necessário apresentar documento comprovando o motivo da ausência.
Quem não votar nem justificar no domingo terá até 60 dias depois de cada turno para regularizar a situação. No caso do primeiro turno de 2026, o prazo termina em 3 de dezembro. A justificativa posterior poderá ser enviada pelo e-Título, pelo Autoatendimento Eleitoral ou apresentada em cartório com documentação que comprove o motivo da ausência anexada.
Apuração e resultado
Às 16h, pelo horário local, os portões são fechados, mas quem já estiver na fila continuará tendo direito ao voto. Cada seção só encerra os trabalhos depois que todos os eleitores que receberam senha terminarem de votar.
Encerrada a votação na seção, a própria urna apura os votos e imprime o Boletim de Urna (BU), documento que informa quantos votos cada candidatura e legenda recebeu naquela seção, além do número de eleitores que compareceram. Cinco vias são impressas obrigatoriamente e uma delas fica afixada na porta da seção.
Depois, os dados são gravados na mídia de resultado e encaminhados para transmissão. Antes de entrarem na totalização, os arquivos passam por verificações de autenticidade e integridade. A urna utilizada para receber os votos não fica conectada à internet ou a outras redes durante a votação.
A divulgação dos resultados começa a partir das 16h, conforme os boletins das urnas são recebidos e processados pela Justiça Eleitoral.
O eleitor poderá acompanhar a totalização em tempo real pelo aplicativo 'Resultados', do TSE, disponível para Android e iOS, ou pelo portal de resultados da Justiça Eleitoral. É possível consultar a apuração nacional, por estado, município ou zona eleitoral, além de acompanhar votos por cargo e candidato, comparecimento e quantidade de seções já totalizadas.
Também é possível consultar o Boletim de Urna de cada seção. Em 2026, a ferramenta de leitura dos QR Codes dos boletins, conhecida como Boletim na Mão, foi integrada ao e-Título. Assim o eleitor pode comparar os números impressos na seção eleitoral com o que for divulgado na totalização oficial.
Em Mato Grosso do Sul, o TRE-MS também realizará no domingo o Teste de Integridade das Urnas. O procedimento começa às 7h no Fórum Eleitoral e no Colégio Marista que irá verificar publicamente se os votos registrados correspondem aos resultados contabilizados pelos equipamentos selecionados.
Caso nenhuma candidatura a presidente ou governador alcance os requisitos para vitória no primeiro turno, o segundo turno será realizado em 25 de outubro.