As eleições de 2026 ampliaram a presença feminina no Senado Federal. Das 54 vagas que estavam em disputa neste domingo (4), 12 foram conquistadas por mulheres, o maior número de senadoras eleitas em um único pleito desde a redemocratização. O recorde anterior havia sido registrado em 2002, quando oito mulheres foram eleitas para a Casa.

As novas senadoras assumem os mandatos em fevereiro de 2027 e se juntarão às mulheres que já possuem mandato até 2031. Com a nova composição, a bancada feminina deverá chegar a 18 integrantes, o equivalente a 22,2% das 81 cadeiras do Senado. O número, porém, considera também as suplentes que estiverem no exercício do mandato.

Entre as eleitas estão Mara Rocha (Republicanos-AC), Marina JHC (PSDB-AL), Rayssa Furlan (Podemos-AP), Luizianne (Rede-CE), Michelle Bolsonaro e Bia Kicis (ambas do PL-DF), Gracinha Caiado (União-GO), Marília Campos (PT-MG), Marília Arraes (PDT-PE), Samanda de Lula (PT-RN), Teresa Surita (MDB-RR) e Carol de Toni (PL-SC).

O resultado também marcou um feito inédito no Distrito Federal. Michelle Bolsonaro e Bia Kicis foram eleitas para as duas vagas disponíveis, e se juntarão a Damares Alves (Republicanos), que tem mandato até 2031. Com isso, o DF será a primeira unidade da Federação a ter uma bancada formada exclusivamente por mulheres no Senado.

A nova bancada, no entanto, terá diferentes perfis partidários e políticos. Entre as 12 eleitas, três pertencem a partidos de esquerda ou centro-esquerda: Marília Campos e Samanda de Lula, ambas do PT, e Marília Arraes, do PDT. Outras eleitas estão em legendas como PL, União, MDB, Republicanos, PSDB, Podemos e Rede.

Além das diferenças partidárias, algumas das novas senadoras possuem vínculos familiares com nomes conhecidos da política. Rayssa Furlan é esposa do governador eleito do Amapá, Dr. Furlan; Gracinha Caiado é esposa de Ronaldo Caiado; Teresa Surita foi casada com o ex-senador Romero Jucá; Mara Rocha é irmã do ex-deputado federal Major Rocha; e Marina JHC é esposa do governador eleito de Alagoas, JHC.

As novas integrantes também vão se juntar a Teresa Leitão (PT-PE), Tereza Cristina (PP-MS), Damares Alves (Republicanos-DF), Professora Dorinha (União-TO), além de Jussara Lima (PSD-PI) e Lourdinha Pereira (PSB-MA), que exercem o mandato como suplentes. A composição definitiva ainda pode sofrer alterações até o início da próxima legislatura.

Outro dado chama atenção: nenhuma das atuais senadoras que disputaram a reeleição conseguiu renovar o mandato nas urnas. Deixarão o Senado em 2027 Leila Barros (PDT-DF), Eliziane Gama (PSD-MA), Soraya Thronicke (PSB-MS), Mara Gabrilli (PSD-SP), além de Dra. Eudócia (PSDB-AL), Daniella Ribeiro (PP-PB), Roberta Acioly (Republicanos-RR) e Ivete da Silveira (MDB-SC).

O avanço na eleição de mulheres ocorre em um cenário de crescimento das candidaturas femininas. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, 70 mulheres disputaram vagas ao Senado em 2026, número superior às 58 candidatas de 2022 e às 63 de 2018. Mesmo com o recorde, as mulheres ainda serão minoria na Casa.