A Câmara Municipal de Campo Grande reuniu 24 assinaturas para o requerimento de abertura da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Tapa-Buracos. Apesar do apoio ao pedido, a comissão ainda não foi instalada. O documento será encaminhado à Procuradoria Jurídica da Casa, que deverá analisar se atende às exigências legais, regimentais e constitucionais.

Somente após essa avaliação e o cumprimento dos trâmites internos será possível oficializar a CPI e definir seus integrantes, incluindo presidente e relator. A composição deverá respeitar a proporcionalidade dos partidos na Câmara.

O vereador Papy explicou que a análise jurídica é uma etapa necessária antes da formalização da comissão. Segundo ele, a iniciativa busca ampliar a fiscalização sobre os serviços de manutenção das vias e cobrar providências da Prefeitura diante das reclamações dos moradores sobre as condições do asfalto na Capital.

“A CPI é um instrumento do vereador diante do descaso que o município está tendo na negligência em relação ao tapa-buraco”, afirmou.

Papy reconheceu que as chuvas registradas neste ano contribuíram para agravar os problemas nas ruas, mas ressaltou que a situação exige planejamento e medidas capazes de reduzir os danos provocados pela deterioração do pavimento.

“O campo-grandense se indigna quando não percebe que existe uma alternativa para combater os buracos”, disse.

O parlamentar destacou que, embora a execução dos serviços seja responsabilidade da Prefeitura, a Câmara tem o dever de fiscalizar e cobrar resultados da administração municipal.

CPI pretende discutir mudanças na recuperação das vias

Além de investigar os problemas relacionados à operação tapa-buracos, a proposta é discutir formas de tornar os serviços mais eficientes e estabelecer critérios para a recuperação das ruas e avenidas.

Papy questionou como a Prefeitura pretende enfrentar o problema no próximo ano, especialmente se houver redução no volume de chuvas. Para ele, a administração precisa rever a organização das equipes, o atendimento aos pontos críticos e o planejamento das intervenções.

“Será que nós vamos ter a mesma rotina desse ano, com menos chuva, com menos equipe, com uma série de questões que são erros de gestão?”, questionou.

O vereador também afirmou que pretende apresentar um projeto de lei para modificar a forma de contratação dos serviços. A proposta, segundo ele, é substituir contratos específicos para tapa-buracos por um modelo voltado à recuperação asfáltica, com intervenções mais amplas e duradouras.

A intenção é estabelecer um padrão para a execução dos trabalhos e evitar que os reparos se limitem a soluções pontuais, sem resolver os problemas do pavimento.

Instalação depende de trâmites internos

Papy ressaltou que a apresentação do requerimento não significa que os problemas serão resolvidos imediatamente. Antes do início dos trabalhos, ainda será necessário concluir a análise jurídica, oficializar a comissão e definir os vereadores que farão parte dela.

“Não estamos vendendo sonho para ninguém, dizendo que hoje abre uma CPI e amanhã os buracos estão tapados. Não é isso”, declarou.

O parlamentar também citou os prejuízos enfrentados por motoristas e os riscos para motociclistas e ciclistas que circulam pelas vias danificadas. Segundo ele, a iniciativa busca cobrar respostas do Executivo e contribuir para recuperar a confiança da população no poder público.

Até que as etapas formais sejam concluídas, a CPI do Tapa-Buracos permanece na fase de tramitação do requerimento, sem instalação oficial ou início das investigações.