Brasil 2027
Direita comandará 21 estados brasileiros, enquanto esquerda ficará com seis governos
A nova configuração política foi definida após o segundo turno das eleições e mostra a força da oposição ao PT nos Executivos estaduais, apesar da vitória de Lula na disputa presidencial
A direita ampliou sua presença nos governos estaduais após o segundo turno das eleições, realizado neste domingo (25), e passará a comandar 21 estados brasileiros. A esquerda, por sua vez, ficará à frente de seis unidades da Federação, segundo a divisão política apresentada no levantamento.
Entre os resultados que reforçaram a presença da direita estão as vitórias de Mailza Assis (PP), no Acre; Celina Leão (PP), no Distrito Federal; Lorenzo Pazolini (Republicanos), no Espírito Santo; e Vicentinho Júnior (PSDB), em Tocantins. Do outro lado, Omar Aziz (PSD), no Amazonas, e Cadu de Lula (PT), no Rio Grande do Norte, representam a ampliação da presença de nomes alinhados ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O cenário revela uma mudança em relação às eleições de 2022, quando a esquerda comandava nove governos estaduais. A redução está relacionada à mudança de grupos políticos no poder em estados como Espírito Santo, Maranhão e Pará, que elegeram novos nomes para os Executivos.
A predominância da direita também acompanha a força desse campo político no Congresso Nacional, onde partidos conservadores e de oposição ao governo federal mantêm presença expressiva. A distribuição dos governos estaduais indica que, mesmo com a vitória de Lula na disputa presidencial, seus adversários políticos terão ampla influência na administração dos estados.
Nordeste concentra governos de esquerda
A presença da esquerda permanece concentrada, principalmente no Nordeste. Dos seis estados que ficarão sob seu comando, cinco estão na região: Bahia, Ceará, Paraíba, Piauí e Rio Grande do Norte. O sexto é o Amazonas, na Região Norte.
Na Região Sul, os três estados serão comandados por políticos classificados à direita: Sergio Moro (PL), no Paraná; Luciano Zucco (PL), no Rio Grande do Sul; e Jorginho Mello (PL), reeleito em Santa Catarina.
Os três estados mais populosos do país também estarão sob governos de direita. Em São Paulo, o comando ficará com Tarcísio de Freitas (Republicanos); em Minas Gerais, com Cleitinho Azevedo (Republicanos); e, no Rio de Janeiro, com Douglas Ruas (PL).
A configuração amplia o peso da direita na articulação política nacional. Os governadores têm papel relevante nas negociações com o governo federal, na relação com o Congresso e na implementação de políticas públicas que afetam diretamente a população.
Como fica a divisão dos governos estaduais
De acordo com o levantamento, os 21 governos classificados no campo da direita serão distribuídos entre representantes de diferentes partidos, enquanto a esquerda terá seis estados sob seu comando.
Governos classificados à direita - 21 estados:
Acre: Mailza Assis (PP)
Alagoas: João Henrique Caldas (PSDB)
Amapá: Dr. Furlan (PSD)
Distrito Federal: Celina Leão (PP)
Espírito Santo: Lorenzo Pazolini (Republicanos)
Goiás: Daniel Vilela (MDB)
Maranhão: Eduardo Braide (PSD)
Mato Grosso: Otaviano Pivetta (Republicanos)
Mato Grosso do Sul: Eduardo Riedel (PP)
Minas Gerais: Cleitinho Azevedo (Republicanos)
Pará: Dr. Daniel (Podemos)
Paraná: Sergio Moro (PL)
Pernambuco: Raquel Lyra (PSD)
Rio de Janeiro: Douglas Ruas (PL)
Rio Grande do Sul: Luciano Zucco (PL)
Rondônia: Marcos Rogério (PL)
Roraima: Arthur Henrique (PL)
Santa Catarina: Jorginho Mello (PL)
São Paulo: Tarcísio de Freitas (Republicanos)
Sergipe: Fábio Mitidieri (PSD)
Tocantins: Vicentinho Júnior (PSDB)
Governos classificados à esquerda - 6 estados:
Amazonas: Omar Aziz (PSD)
Bahia: Jerônimo Rodrigues (PT)
Ceará: Elmano de Freitas (PT)
Paraíba: Lucas Ribeiro (PP)
Piauí: Rafael Fonteles (PT)
Rio Grande do Norte: Cadu de Lula (PT)
Com essa distribuição, a direita terá ampla maioria entre os chefes dos Executivos estaduais. O resultado reforça a importância dos governos locais para o equilíbrio de forças políticas no país e aponta para um cenário em que a relação entre governadores, Congresso Nacional e Presidência da República deverá ter papel central nos próximos anos.