A diretoria da Santa Casa de Campo Grande lançou, na manhã desta segunda-feira (27), a campanha SOS Santa Casa e admitiu que o hospital pode restringir atendimentos nos próximos dias diante do agravamento da crise financeira. Durante coletiva de imprensa, a diretora técnica Patrícia Berg afirmou que a unidade enfrenta dificuldades crescentes para adquirir medicamentos e insumos, cenário que pode levar à suspensão de novos atendimentos, exames laboratoriais e até de procedimentos caso o abastecimento continue comprometido. "Eu acredito que a instituição entre num momento crítico de atendimento no máximo em 30 dias".

Segundo Patrícia, a Santa Casa é responsável por mais de 50% dos atendimentos de alta complexidade de Mato Grosso do Sul e por mais de 60% da alta complexidade realizada em Campo Grande. Além disso, é referência estadual para especialidades como cirurgia cardíaca infantil, cirurgia vascular de alta complexidade, neurocirurgia e atendimento a queimados. Apesar disso, a diretora afirmou que a instituição tem enfrentado dificuldades para manter o funcionamento. "A gente vem sangrando para conseguir manter esse fluxo de atendimento", disse. "Vai chegar um momento em que vai haver dificuldade desses pacientes chegarem, entrarem e serem atendidos na instituição", alertou.

O diretor do pronto-socorro, Marcos Bonilha, afirmou que a unidade trabalha constantemente acima da capacidade. Segundo ele, cerca de 100 pacientes permanecem diariamente no pronto-socorro, muitos aguardando vagas de internação. Bonilha destacou que os pacientes chegam cada vez mais graves, exigindo tratamentos mais complexos e caros, o que amplia ainda mais os custos da instituição. "Sem dinheiro, nós não vamos a lugar nenhum. Nós não conseguimos fazer mais nada. Nós estamos no limite", afirmou.

A presidente da Santa Casa, Alir Terra, afirmou que a crise é resultado do subfinanciamento do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo ela, a tabela do SUS não recebe reajuste desde 2010 e o contrato firmado entre Prefeitura de Campo Grande, Governo do Estado e o hospital está desatualizado há dois anos. De acordo com a presidente, o déficit operacional da instituição supera R$ 13 milhões por mês.

Ali Terra também apresentou as ações judiciais que, segundo a Santa Casa, somam R$ 757.014.000 a receber. O valor inclui R$ 26,5 milhões referentes ao reajuste contratual pelo IPCA determinado pela Justiça.

R$ 52 milhões de uma ação relacionada aos repasses federais da Covid-19 que, segundo a instituição, não foram integralmente transferidos pelo município, e R$ 678,514 milhões de uma ação na Justiça Federal que discute o equilíbrio econômico-financeiro do hospital após uma auditoria realizada por determinação judicial. A ação tramita contra União, Estado e Município. "Se a Santa Casa recebesse hoje tudo o que tem para receber, a população estaria extremamente confortável com um hospital totalmente revitalizado", afirmou a presidente.

Para tentar manter os serviços funcionando, a direção informou que criou um comitê de crise responsável por definir semanalmente quais fornecedores serão pagos e quais compras terão prioridade. "O comitê de crise escolhe quem vai pagar para não parar o serviço", afirmou Ali Terra. Segundo ela, apesar de decisões favoráveis na Justiça, os recursos ainda não chegaram à instituição porque os processos seguem sendo alvo de recursos dos entes públicos. A presidente afirmou que a situação chegou ao limite e justificou o lançamento da campanha SOS Santa Casa como um alerta à população. "Vai chegar uma hora que nós não vamos ter mais insumos", concluiu.