Saúde
Mudanças no sono e isolamento indicam violência contra jovens na internet
Psicólogo do Humap-UFMS alerta para sinais de manipulação no meio digital
Alterações repentinas no sono, isolamento social, queda no rendimento escolar e medo ao receber mensagens no celular são sinais de alerta para a violência psicológica vivida por jovens na internet. O psicólogo Thiago Ayala, do Hospital Universitário da UFMS (Humap-UFMS), reforça que a observação constante é indispensável para identificar situações de risco.
Segundo o especialista, a necessidade de pertencimento em crianças e adolescentes é frequentemente explorada por grupos nocivos que oferecem validação para depois impor regras de controle, chantagens e ameaças. O impacto desse tipo de manipulação no ambiente virtual gera consequências psicológicas profundas em jovens que ainda estão em fase de desenvolvimento emocional.
O acompanhamento dos pais não deve ser traduzido como invasão de privacidade ou vigilância ostensiva, mas sim como uma supervisão ativa e participativa. Conhecer as plataformas, os jogos virtuais e as dinâmicas utilizadas pelos filhos é o primeiro passo para construir combinados claros e proteger a rotina digital da família.
O diálogo sobre segurança digital deve fazer parte da rotina familiar antes mesmo do surgimento de qualquer problema ou ameaça concreta. Preparar os jovens para desconfiar de promessas, questionar a exigência de segredos e reconhecer conteúdos manipulativos é fundamental para fortalecer o senso crítico dos filhos dentro e fora das redes.
A reação dos adultos diante de uma confissão é determinante para evitar que o adolescente esconda situações perigosas por medo de punições. A recomendação do psicólogo é adotar uma postura de escuta acolhedora, sem aplicar humilhações, garantindo que o jovem sinta segurança em procurar socorro quando um cenário fugir do seu controle.
A busca por atendimento especializado não precisa ocorrer apenas quando a situação atinge um nível crítico ou emergencial. Mudanças persistentes de comportamento que passem a comprometer a alimentação, a rotina de sono ou o aprendizado na escola já justificam o acompanhamento com profissionais de saúde mental e o apoio da rede escolar.
Além do monitoramento comportamental, o estabelecimento de limites para o tempo diário de tela é essencial para preservar as experiências presenciais. O psicólogo reforça que o excesso de internet torna-se prejudicial quando passa a substituir a convivência em família, a prática de atividades físicas e a construção de vínculos reais fora das telas.