A idade avançada, por si só, não impede uma pessoa de ser doadora de órgãos em vida. Durante a campanha Setembro Verde, o enfermeiro e coordenador da equipe de Doação de Órgãos e Tecidos do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), Guilherme Fernandes, explica que idosos podem passar pelo processo, desde que apresentem condições de saúde consideradas adequadas para o procedimento.

Segundo o profissional, a avaliação é individualizada e considera exames de sangue e urina, funcionamento dos rins, exames de imagem e avaliação cardiovascular. Também são analisados o estado geral de saúde, a expectativa de vida e os possíveis riscos da cirurgia, sempre priorizando a segurança do doador e do receptor.

Entre os órgãos que podem ser doados em vida estão um dos rins, parte do fígado, parte do pulmão e medula óssea. No caso dos rins, não há limite máximo de idade para o doador, enquanto outros órgãos possuem critérios específicos. Para a doação de parte do fígado, por exemplo, a faixa etária considerada apta fica entre 16 e 50 anos.

No Brasil, a doação em vida pode ocorrer entre parentes até quarto grau e cônjuges sem necessidade de autorização judicial. Fora dessas relações, é possível realizar a doação, mas o procedimento depende de autorização da Justiça. O principal critério, conforme o especialista, é garantir que a retirada do órgão não cause prejuízos à saúde do doador.

O Brasil registrou 4.335 doadores efetivos de órgãos no ano passado, maior número da série histórica, enquanto 49.489 pessoas aguardavam por um transplante. A campanha Setembro Verde busca ampliar a conscientização sobre a importância da doação e esclarecer que, em casos de doadores vivos, cada situação precisa ser analisada individualmente pelas equipes médicas.