Minha entrevistada desta semana é arquiteta e escritora Miriam Gurgel Formada em arquitetura pela Universidade Mackenzie, em São Paulo, exerce a profissão desde 1983 Formada em “Training and Assessement” pelo Tafe WA .Fez cursos de aperfeiçoamento em Architetura D¿Interni e Lighting Design, em Milão
Foi professora de decoração na Escola Panamericana de Artes em São Paulo, durante vários anos, e no Senac de Araraquara. Lecionou arquitetura de interiores na Universidade Moura Lacerda, em Ribeirão Preto. Na Austrália, lecionou design residencial e diferentes disciplinas de arquitetura de interiores no Tafe WA e nos cursos de extensão da University of Western Australia (UWA).
Os quatros livros escritos por Miriam Gurgel comprovam o seu talento  são eles:Projetando Espaços(Guia de arquitetura de interiores para área residenciais),Organizando Espaços,(Guia de decoração e reforma de residências), Projetando Espaços(Guia de arquitetura de interiores para áreas comerciais), Projetando Espaços(Design de Interiores).

Miriam como nasceu o desejo de ser uma arquiteta e se profissionalizar na área de designer de interiores?
Sempre desenhei e gostei de matemática e física ao mesmo tempo que as artes plasticas me inspiravam. Engenharia era muito técnica, então minha irmã escolheu por mim! Arquitetura era ainda uma profissão não muito valorizada, mas era fascinante a possibilidade de desenhar, criar, estar em contato com as pessoas e com a arte.

O que fez você se apaixonar e dedicar uma vida neste conceito, Design de  interior?
Comecei a estagiar desde o segundo ano da universidade, passei pelas areas de urbanismo, projeto e no ultimo ano passei para o curso noturno para viabilizar dois estagios diferentes um na Construtora Adolpho Lindemberg, bem tradicional, e outro no escritorio do “jovem” Sig Bergamim. Quando me formei, fui trabalhar numa empresa que restaurava e fazia moveis coloniais brasileiros... foi ai que me apaixonei por desenho de mobiliario. Tive um escritorio por varios anos com meu amigo e tambem arquiteto Marcos Costa e depois continuei sozinha. Sempre me fascinou projetar algo para alguem que não fosse “eu”, com ideias diferentes das minhas e necessidades também diversas... atingir um projeto que funciona nessas circunstancias é fantástico.

Percebemos á grande carência de livros didáticos no Brasil, na temática de Design de interiores, seus livros é a bíblia dos acadêmicos e profissionais no momento, como professora e mestra no assunto acredita que nestes  últimos dez anos,  houve uma evolução maior na busca deste conteúdo, ou ainda estamos muito devagar nesta direção de crescimento intelectual da área?
O problema maior que vejo é que não existia um livro “técnico”, mas sim um monte de publicações mostrando modismos e tendências. Era simplesmente uma grande variedade de “o que esta sendo feito no mundo” e não “como faço para projetar algo que funcione”!
Existem muitos profissionais que são verdadeiros “rótulos” de moda, como o próprio Sig. São mais do que um projeto “são um desejo de consumo”. Eu sempre fui pelo caminho oposto, sou “funcionalista”, busco a praticidade e “depois” visto a casa com o gosto do cliente.

Como nasceu o desejo de escrever seus livros?
Leciono há muitos anos, meu pai foi professor universitário por mais de 20 anos, gosto de passar meu conhecimento, de dividir com os outros aquilo que sei, “não tenho problemas com a concorrência”, pois cada um tem seu espaço nessa vida!
A falta de material didático direcionado incentivou meu projeto.Me lembro uma vez em Milão quando vi um livro que me inspirou muito..... Só quando mudei para a Austrália é que tive tempo de colocar minhas idéias e conhecimento no papel, no Brasil era “impossível” dado ao volume de projetos, obras e aulas...

Que dica daria para os acadêmicos de design de interior e arquitetos,para um resultado de satisfação do cliente?
Enfocar 100% o projeto no cliente, nas necessidades dele, nos sonhos que ele tenha e na vida que “ele” leva. Para mim, o projeto deve ser focado nas aspirações de quem te contrata, e não no desejo do profissional de auto-reconhecimentos ou autoprojeção. A satisfação e o reconhecimento vêm depois, como conseqüência de um projeto bem sucedido.

Acredita que a diferenciação no mercado entre design de interior e arquitetos, hoje esta mais percebida pelos leigos ou até mesmo para a classe?
Acho que sim, a função dos arquitetos é bem clara e distinta, embora vários arquitetos trabalhem no setor de design de interiores. A confusão é criada pelos termos arquitetura de interiores e design de interiores, que na realidade são coisas distintas.

Acredito muito em parceria entre profissionais, na verdade este é o alvo da evolução deste mercado, para um resultado de  um cliente satisfeito, que dica daria nesta área?
É impossível dominar todas as áreas, um profissional é realmente profissional quando assume essa postura e procura ajuda especializada para as diferentes etapas e detalhes de um projeto.

Que dica você  daria á um cliente que precisa optar por um profissional (Design  de interior ou arquiteto) e não sabe qual escolher ?
O que cabe ao arquiteto é bastante diferenciado já que o designer de interiores não pode fazer “arquitetura”. Se o caso é restrito a interiores, a solução é procurar um profissional que saiba fazer o que o cliente deseja. Alguns profissionais são como “griffes”, se este for o caso, o cliente deverá escolher qual a griffe que deseja. Se o caso é diferente, e o cliente busca um projeto com a a sua propria cara, deve procurar um profissional que saiba entender e transmitir as necessidades dos clientes em projetos personalizados e diferentes. Bons profissionais existem nas duas profissões.

As pessoas hoje buscam conforto, sustentabilidade, praticidade, acredita em um projeto com todos estes itens, mais também para todas as classes sociais?
Claro, deve ser assim, possível e viável para todos, sem diferenciações. Um bom projeto não depende única e exclusivamente de dinheiro, depende muito mais de bons profissionais.

A classe C,surge no Brasil com grande força e potencial, que ponto de equilíbrio se encontra em uma casa com conforto ambiental para esta classe?
Acho que a situação é diferente, conforto ambiental para as classes A, B, C ou D deve ser um só. Não passar frio ou calor, não ter uma casa barulhenta, com saneamento, etc... isso é conforto ambiental. O que deve existir é uma conscientização maior sobre essa questão. O problema é que a sociedade brasileira é tremendamente consumista, todo mundo quer um i-phone mesmo se a casa onde mora não tem o conforto que deveria.

É fato, em vários projetos toda profissional deixa sua assinatura, em uma textura, ou uma viga exposta enfim, acredita neste conceito ou sua visão didática seria sempre o perfil do cliente ou existiria um meio para ambos?
Como já disse, sou funcionalista, essa é minha assinatura. Meus projetos são extremamente funcionais e se uso um material é porque acredito nele como a “melhor” solução. Acho que há espaço para todos os tipos de profissionais mas procuro ensinar e orientar as pessoas que freqüentam meus cursos, a seguir o que o cliente quer, afinal a casa será para ele.
O que é uma Casa com ESTILO E REQUINTE para você
É uma casa que funciona bem, que representa a família que mora nela. Requinte e estilo são viver numa casa que espelha suas convicções e forma de viver.

RAIO X
Um idea l-
viver segundo acredito que deva viver
Um livro - Das coisas nascem coisas de Bruno Munari
Uma cor -  amarelo
Um lazer - andar de bicicleta
Um perfume - “cheiro de banho”
Impossível viver sem – alegria
Um arquiteto – Frank Loyd Wrigth
Um artista plástico – Rodin
Um estilo – o que reflete quem sou
Um ídolo renascentista – Michelangelo
Um ídolo modernista – Le Corbusier
Atual – Nelson Mandela
Uma obra desta época – Complexo Sustentavel “Passive Haus” Innsbruck
Um amor – meu pai