Envolvido no desgaste político causado pelo áudio em que pede recursos ao empresário Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro conseguiu mudar o foco do noticiário ao aparecer ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante viagem a Washington. A imagem no Salão Oval da Casa Branca passou a dominar a repercussão política ligada ao parlamentar e esvaziou, ao menos momentaneamente, a pressão em torno do caso envolvendo o Banco Master.

A viagem tinha como principal objetivo garantir a foto com Trump e reforçar a aproximação do bolsonarismo com o principal nome da direita global. Flávio destacou que foi a primeira vez que Trump recebeu na Casa Branca um pré-candidato à Presidência do Brasil.

Apesar da repercussão positiva entre aliados, o encontro também deixou dúvidas sobre o nível real dessa relação. Flávio afirmou ter permanecido na Casa Branca entre 15h e 16h40, mas assessores deram versões diferentes sobre quanto tempo ele efetivamente esteve com Trump no Salão Oval. A Casa Branca confirmou a reunião, mas não divulgou detalhes da conversa nem registros oficiais mais amplos do encontro.

Segundo o senador e aliados, os dois conversaram sobre a saúde de Jair Bolsonaro, minerais críticos, crime organizado e eleições brasileiras. Flávio também defendeu que facções criminosas brasileiras sejam classificadas pelos Estados Unidos como grupos terroristas, pauta que agrada setores mais conservadores da direita e gera resistência no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Nos bastidores, porém, a avaliação é de que a viagem ajudou principalmente a retirar o foco da crise provocada pelo áudio envolvendo Daniel Vorcaro. Antes da entrevista coletiva, assessores chegaram a pedir aos jornalistas que evitassem perguntas sobre assuntos domésticos e concentrassem a cobertura apenas na agenda internacional.

Questionado sobre uma tentativa de desviar a atenção do caso Banco Master, Flávio negou. Disse que a viagem não tinha esse objetivo e afirmou que “não tem nada a esconder” sobre o episódio.

A estratégia lembra o movimento feito por Lula durante recente viagem aos Estados Unidos. Ambos buscavam transformar a pauta política interna por meio da repercussão internacional, embora em contextos e dimensões diferentes. Enquanto Lula saiu fortalecido após encontro oficial com Trump, ainda não está claro se Flávio terá o mesmo resultado político após a visita à Casa Branca.