Eleições
Pesquisa aponta liderança de Lula e coloca Caiado como principal ameaça no segundo turno
Governador desponta como alternativa entre os eleitores governistas e oposição
O presidente Lula (PT) lidera a disputa pela Presidência da República tanto na pesquisa espontânea quanto na estimulada da Real Time Big Data, divulgada nesta terça-feira (21). Apesar da vantagem, o levantamento mostra que a eleição segue aberta e indica que, em um eventual segundo turno, apenas o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), venceria Lula fora da margem de erro. Já o senador Flávio Bolsonaro (PL), embora apareça numericamente atrás, também entra na disputa técnica quando considerada a margem de dois pontos percentuais.
Na pesquisa espontânea, Lula aparece com 34% das intenções de voto, contra 26% de Flávio Bolsonaro. Mesmo considerando a margem de erro a diferença mínima entre eles seria de 4%. Nesse cenário, o empresário Renan Santos (Missão) aparece em terceiro lugar, com 3%, seguido por Ronaldo Caiado, com 2%. Jair Bolsonaro e Michelle Bolsonaro registram 1% cada.
No levantamento estimulado, Lula amplia sua vantagem e chega a 40%, enquanto Flávio Bolsonaro sobe para 33%. Renan Santos aparece com 9%, Ronaldo Caiado com 7% e Romeu Zema (Novo) registra 2%. A diferença entre Lula e Flávio é de sete pontos, mas pode cair para três pontos considerando a margem de erro.
Sem mais de 50% por cento dos votos validos Lula iria para o segundo turno. Nos cenários de segundo turno, o presidente venceria o senador por 45% a 42%, mas com empate técnico. Contra Romeu Zema, o petista teria 44% contra 38%. Diante de Renan Santos, venceria por 44% a 35%.
O único adversário que aparece numericamente à frente de Lula é Ronaldo Caiado. O governador goiano registra 44%, contra 43% do presidente, também em um cenário de empate técnico pela margem de erro.
O que pode explicar Ronaldo Caiado vencer Lula no segundo turno, mesmo não estando entre os três mais votados nas pesquisas de intenção de voto, é o fato de ele aparecer como a segunda opção tanto dos eleitores de Lula quanto dos de Flávio Bolsonaro, como mostra a pesquisa, além de ter uma taxa de rejeição menor que a dos dois principais adversários.
O que fez Flávio cair?
Uma das primeiras situações que abalou a confiança de parte do eleitorado de Flávio Bolsonaro foi o chamado Caso Master, quando vazou uma mensagem em que ele pedia dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, que conta a ascensão política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O dinheiro, porém, não chegou à produtora.
Em seguida, veio o racha com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Com isso, Flávio passou a enfrentar resistência de lideranças ligadas ao eleitorado feminino, como a ex-ministra Damares Alves e a senadora Tereza Cristina.
Mais recentemente, houve a sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros, medida que alguns associam às articulações da família Bolsonaro junto ao governo norte-americano. O senador chegou a viajar ao país afirmando que buscaria negociar a não aplicação da tarifa com Donald Trump, mas a articulação não teve sucesso.
Além disso, a discussão sobre a taxação do Pix deve ser uma das principais armas utilizadas tanto pela campanha de Flávio quanto pela de Lula. Outro tema que tende a ganhar espaço é a classificação de organizações criminosas brasileiras como grupos terroristas pelo governo dos Estados Unidos, assunto que dividiu governistas e oposição.
A pesquisa ouviu 2.000 eleitores em todo o país entre os dias 18 e 20 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com índice de confiança de 95%.