O endividamento das famílias brasileiras voltou a crescer e atingiu 81,6% em maio, o maior nível da série histórica e o quinto aumento consecutivo, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta quarta-feira (10) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O principal responsável pelo avanço continua sendo o cartão de crédito, presente em 84,6% das dívidas das famílias. A modalidade também preocupa por concentrar uma das maiores taxas de juros do mercado, com o crédito rotativo chegando a 428,3% ao ano.

Entre as famílias com renda de até três salários mínimos, a inadimplência registrou forte alta e alcançou 38,6% em maio, avanço de 1,7 ponto percentual em relação ao mês anterior. Já o percentual geral de famílias com contas em atraso chegou a 29,9%.

Outro dado que chamou atenção foi o crescimento do número de brasileiros que se consideram muito endividados. O índice atingiu 17%, o maior patamar dos últimos 23 meses.

De acordo com o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o cenário exige atenção, principalmente para as famílias de menor renda. “Essa sequência de aumentos atinge, principalmente, as famílias de menor poder aquisitivo, pela exposição às taxas decorrentes de atrasos em pagamentos”, afirmou.

Apesar do aumento do endividamento, alguns indicadores apresentaram melhora. O comprometimento médio da renda com dívidas caiu para 29,3%, enquanto o tempo médio de atraso dos inadimplentes recuou para 65 dias. As dívidas com mais de 90 dias de atraso também diminuíram e chegaram a 49,3%, o menor percentual registrado neste ano.

Diante da expectativa de novos aumentos no endividamento, a CNC avalia que o programa Desenrola 2.0 pode contribuir para a renegociação de débitos e aliviar a situação financeira das famílias nos próximos meses.