Após fugir de avião
Boliviano morto em confronto era 'grande chefão' do tráfico, diz comandante do Bope
Coronel Rocha afirmou que José Mariano Paz Chavez tinha passagens por tráfico e sequestro; também morreram Cristian Guzman Parada, José Oscar Lacoa Rapu e Bruno Bascope Jordan
O comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PMMS), tenente-coronel Rigoberto Rocha da Silva, detalhou novos aspectos da operação que terminou com quatro bolivianos mortos em confronto, na sexta-feira (7), em uma área rural de São Gabriel do Oeste.
Entre os mortos estava José Mariano Paz Chavez, de 29 anos, apontado por Rocha como um “grande chefão” do tráfico de drogas, principalmente de cocaína, na América do Sul. Segundo o comandante, ele possuía várias passagens por tráfico de drogas, inclusive por meio do modal aéreo, além de ocorrências relacionadas a sequestro.
Fuga após interceptação da FAB
Os quatro bolivianos mortos no confronto eram os envolvidos na ocorrência iniciada após a interceptação de um avião clandestino pela Força Aérea Brasileira (FAB), na sexta-feira (31 de julho).
A aeronave voava sem plano de voo e sem contato com o controle de tráfego aéreo. Caças realizaram as medidas de policiamento e efetuaram disparos. Após o pouso, o avião foi encontrado vazio. Os ocupantes haviam fugido, dando início às buscas em solo realizadas pelo Bope.
O desfecho ocorreu nesta sexta-feira (7), quando os quatro bolivianos foram localizados em uma área rural de São Gabriel do Oeste. Houve confronto com os policiais, e os quatro morreram.
“Grande chefão” do tráfico
Segundo Rocha, José Mariano Paz Chavez era considerado um “grande chefão” do tráfico de drogas, principalmente de cocaína, na América do Sul. “É um elemento que tem várias passagens por tráfico de droga nesse modal aéreo. Tem algumas ocorrências de sequestro. É um elemento que a polícia boliviana destaca ali que é altamente agressivo”, afirmou Rocha.
O comandante disse ainda que Mariano era considerado um dos grandes nomes do tráfico de cocaína, especialmente na região de fronteira entre Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Bolívia.
“Se trata de um grande chefão desse tráfico de droga e principalmente de cocaína dentro da América do Sul, principalmente na fronteira de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul com Bolívia”, disse.
Transporte aéreo e patrimônio
Segundo Rocha, o grupo utilizava o modal aéreo para o transporte de drogas e possuía uma estrutura financeira considerada elevada. “Grandes traficantes usando modal aéreo, muito bem financeiramente”, afirmou.
Dentro da aeronave, conforme o comandante, foi encontrado um relógio avaliado em aproximadamente R$ 2 milhões, além de uma quantidade significativa de dinheiro boliviano.
Rocha afirmou ainda que todos os quatro mortos possuíam histórico criminal na Bolívia, com passagens por tráfico de drogas, cocaína, sequestro e homicídio. “Todos têm passagens por tráfico de droga, cocaína, sequestro, homicídio. Mas um especial realmente se tratava de um grande chefe. É uma ocorrência, destaco mais uma vez, uma ocorrência nível internacional. A gente tirou de circulação”, declarou.
Bope sabia do risco de confronto
O tenente-coronel também detalhou que os policiais já tinham informações de que o grupo estava armado e esperavam a possibilidade de confronto.
Segundo ele, chegou à equipe a informação de que os criminosos estariam com quatro fuzis. Na ocorrência, porém, foram localizados um fuzil 5,5 e uma pistola calibre 9 milímetros.
“Sabíamos da possibilidade de confronto, sabíamos que eles estavam armados. Até com mais arma de fogo chegou para a gente que se tratava de quatro fuzis”, relatou.
Rocha afirmou que o confronto foi intenso, com muitos disparos de ambas as partes. Segundo ele, os criminosos começaram a atirar contra a patrulha e os policiais revidaram. Depois que cessou a agressão, a equipe fez a aproximação e encontrou os quatro bolivianos.
O confronto ocorreu durante a tarde, com luz natural.
Outros envolvidos também morreram no confronto
Além de José Mariano Paz Chavez, também morreram Cristian Guzman Parada, de 31 anos, José Oscar Lacoa Rapu, de 25, e Bruno Bascope Jordan, de 31 anos. Os três foram localizados junto ao grupo na área rural de São Gabriel do Oeste e morreram.
Operação teve integração de forças
Rocha também destacou a atuação integrada de outras forças de segurança, como o Grupo Especial de Fronteiras (GFRON/MT), o Departamento de Operações de Fronteira (DOF), o Batalhão de Policiamento Rural, o Batalhão de Área do 5º Batalhão e o Grupo de Patrulhamento Aéreo da Polícia Militar (GPA).
Segundo o comandante, existe uma estrutura de apoio para ocorrências desse tipo, embora muitas vezes apenas a atuação do Bope seja destacada. Os corpos dos quatro bolivianos foram encaminhados para São Gabriel do Oeste.
Conforme Rocha, ainda seria definido com as autoridades qual será o destino deles e se serão deportados para a Bolívia.
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