Mato Grosso do Sul tem na corrida pelo Governo do Estado cinco candidaturas registradas na Justiça Eleitoral até o fechamento desta matéria. O prazo para os partidos e federações apresentarem os pedidos terminou às 18h (de MS) deste sábado (15), conforme o calendário eleitoral.

No sistema DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apareciam na sexta-feira, os pedidos de registro do governador Eduardo Riedel (PP), que tenta a reeleição; do ex-deputado federal Fábio Trad (PT); do economista Renato Wanderley Gomes (DC); de Jeferson José Bezerra (Agir); e de Lucien Roberto Garcia de Rezende (Psol).

Os registros encerram a fase das convenções e das articulações partidárias que movimentaram as últimas semanas, mas os pedidos ainda passam pela análise da Justiça Eleitoral. O próprio TSE diferencia a apresentação do pedido de registro de seu julgamento posterior.

"Grupão" partidário

Na tentativa de conquistar um segundo mandato, Eduardo Riedel chega à disputa sustentado por uma ampla aliança partidária construída nos últimos meses. O grupo reúne a Federação União Progressista, formada pelo PP e União Brasil, além de PL, MDB, Republicanos, PSDB e Avante. As siglas realizaram convenções em conjunto no início de agosto e formalizaram apoio à reeleição.

A Federação União Progressista confirmou oficialmente o apoio estadual a Riedel. A composição tem peso especial porque reúne o partido do governador, o PP, e o União Brasil, ampliando a estrutura política e eleitoral da candidatura. A senadora Tereza Cristina (PP), uma das principais lideranças do grupo, participou diretamente das articulações.

O MDB também formalizou apoio à reeleição e passou a integrar a coligação “Fazendo o Futuro”, enquanto o Avante confirmou a aliança durante sua convenção estadual.

Riedel terá novamente José Carlos Barbosa, o Barbosinha (Republicanos), como candidato a vice-governador. A composição repete a chapa que venceu a eleição estadual de 2022.

PL fecha com Riedel e leva disputa nacional para a aliança

Um dos movimentos que mais chamaram atenção na formação da chapa governista foi a entrada do PL. A legenda, atualmente comandada em Mato Grosso do Sul pelo ex-governador Reinaldo Azambuja, decidiu não lançar candidato próprio ao Governo e aderiu ao projeto de reeleição de Riedel. A convenção estadual do partido foi realizada em conjunto com aliados e confirmou a aliança.

A aproximação ocorre em um cenário diferente do registrado em 2022. Naquela eleição, Riedel e o então candidato Capitão Contar estiveram em lados opostos no segundo turno. Agora, parte daquele campo político está reunida no mesmo projeto estadual.

Além de apoiar Riedel, o PL montou sua própria estratégia para o Senado. Reinaldo Azambuja está no projeto eleitoral da legenda para uma das duas vagas em disputa, assim como Capitão Contar. A composição faz com que o grupo governista reúna nomes de diferentes partidos e forças políticas que, em eleições anteriores, estiveram em campos adversários.

O alinhamento estadual anda em parlelo com a eleição presidencial. A Federação União Progressista adotou neutralidade nacional, mas liberou seus diretórios estaduais para definirem alianças conforme a realidade de cada estado. Em Mato Grosso do Sul, isso preservou a aproximação com o PL e o apoio à reeleição de Riedel.

Assim, mesmo sem uma aliança nacional obrigatória entre todas as siglas, PP, União Brasil e PL seguem juntos no palanque estadual.

Campo de oposição

Do outro lado da disputa está Fábio Trad. O ex-deputado federal foi oficializado pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. A chapa tem Dona Gilda (PT) como candidata a vice-governadora.

Trad entra na eleição como principal nome do campo ligado ao presidente Lula em Mato Grosso do Sul.

A candidatura tenta construir um contraponto ao grupo político atual. Riedel foi eleito em 2022 pelo PSDB, migrou para o PP e manteve no seu entorno boa parte das forças políticas que integraram os governos estaduais dos últimos anos. Fábio, por sua vez, tenta reunir o eleitorado de oposição em torno de uma candidatura vinculada ao campo governista federal.

Outros três nomes aparecem registrados

Além dos dois candidatos ligados aos maiores blocos partidários, outros três nomes estavam registrados no sistema do TSE até o fechamento da matéria.

O economista Renato Gomes do DC, Jeferson José Bezerra disputa pelo Agir, já Lucien Roberto Garcia de Rezende concorre pela Federação Psol Rede.

Com isso, a disputa registrada até o fechamento desta matéria apresenta cinco nomes, número menor que o de candidatos que chegaram a ser colocados como possíveis concorrentes ao longo da pré-campanha. Levantamentos sobre o cenário eleitoral ainda incluíam João Henrique Catan (Novo) e mencionavam uma possível candidatura do ex-senador Delcídio do Amaral.

Candidatura já deferida

Embora os nomes estejam no DivulgaCandContas como concorrentes, o registro no sistema não significa que todos os pedidos já tenham sido definitivamente aprovados pela Justiça Eleitoral.

Depois da apresentação da documentação, os processos passam pela análise da Justiça Eleitoral. A legislação prevê a verificação das condições de elegibilidade, documentação e eventuais causas de inelegibilidade. 

Tempo de TV

O governador Eduardo Riedel (PP) deve ter o maior tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul. Com uma coligação formada por nove siglas, a estimativa é de cerca de 6 minutos e 44 segundos por bloco de 10 minutos. O cálculo é baseado, principalmente, na representação dos partidos na Câmara dos Deputados resultante das eleições de 2022.

A aliança de Riedel reúne PL, PP, União Brasil, PSDB, Cidadania, MDB, Republicanos, PSD e Avante. PP e União Brasil formam a Federação União Progressista, enquanto PSDB e Cidadania também integram uma federação.

Nas eleições majoritárias, são considerados para a parcela proporcional os seis maiores partidos ou federações de cada coligação. No caso de Riedel, eles somam 347 deputados eleitos em 2022: União Progressista, com 106; PL, 99; MDB e PSD, 42 cada; Republicanos, 40; e PSDB/Cidadania, 18. O Avante fica fora dessa parcela por ser o sétimo integrante.

Já Fábio Trad (PT) deve ter o segundo maior espaço, com aproximadamente 2 minutos e 16 segundos. Sua aliança reúne a Federação Brasil da Esperança — PT, PCdoB e PV, além de PSB e PDT, que somam 111 representantes considerados na projeção.

Pela regra eleitoral, 90% do horário é distribuído proporcionalmente à representação partidária na Câmara e 10% igualmente entre os candidatos.

Os tempos, porém, ainda são estimativas. A divisão oficial depende da aferição da representação partidária pelo TSE e da definição posterior da Justiça Eleitoral.