A primeira sessão da Câmara Municipal de Campo Grande, após o anúncio de que o requerimento para a abertura da CPI do Tapa-Buraco havia alcançado mais de 24 assinaturas, número suficiente para a instalação da comissão, foi marcada por confusão entre apoiadores da prefeita Adriane Lopes e integrantes da oposição.

O secretário de Infraestrutura, André Moura prestaria os primeiros esclarecimentos sobre as operações de tapa-buracos, enquanto a procuradoria da Câmara analisa o requerimento de abertura da Comissão e Inquérito Parlamentar. "São 12 equipes mobilizadas realizando a ação de tapa-buracos em toda Campo Grande, é importante ressaltar
que Campo Grande tem um histórico de cerca de 3.200 quilômetros de asfalto. Pelo manual do DNIT o asfalto tem uma garantia de 8 a 10 anos, a partir desse momento você já tem que avaliar a questão do recapeamento".

No entanto, a sessão  e os esclarecimentos foram interrompidos. 

Enquanto críticos levaram placas ilustrando buracos que são alvos de reclamações constantes de moradores, um apoiador chegou a quebrar o material e foi retirado a força pela Guarda Civil lotada na Câmara Municipal.

“Eu não sou bandido, sou cidadão de bem”, gritou o homem identificado como pastor Charupa. Ele também mostrou que teria sido atingido por um soco.

O secretário de Infraestrutura, André Moura, falou que em razão do homem ser servidor público municipal medidas serão tomadas. “O Executivo municipal vai tomar as providencias cabíveis, é inadmissível essa situação”.

Câmara cobra informações

O presidente da Câmara, vereador Papy, criticou a gestão municipal pela falta de planejamento na renovação dos contratos de manutenção das vias públicas. Segundo ele, a prefeitura permitiu que os contratos chegassem ao fim sem realizar uma nova licitação ou providenciar a prorrogação dos serviços.

“É um erro de gestão quando você se aproxima do final de contratos e não inicia o processo de relicitação ou trabalha as técnicas de aditivar os contratos. Eles não fizeram nem uma coisa, nem outra”, afirmou.

Papy também levantou a hipótese de que o encerramento dos contratos estaria relacionado a uma tentativa de concentrar os serviços no Consórcio Central. Para o parlamentar, a situação contribuiu para que Campo Grande ficasse cerca de quatro meses sem serviços de tapa-buraco.

“A teoria que eu tenho é porque eles estavam forçando levar esses contratos todos para o Consórcio Central. Mas, mesmo assim, esse foi um dos motivos para ficarmos quase quatro meses sem tapa-buraco, por não ter um contrato para realizar esse serviço”, declarou.

O presidente afirmou ainda que os vereadores pretendem questionar o secretário responsável sobre as decisões administrativas. Cada parlamentar poderá fazer duas perguntas durante a sessão. “Eu acho que ele vai ser sabatinado com profundidade, mas também nós vamos ter muitos esclarecimentos. Talvez esses primeiros passos já sirvam de subsídio para o início da CPI nas próximas semanas”, concluiu.