Os preços mundiais dos alimentos alcançaram em agosto o maior patamar em mais de três anos, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (4) pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O Índice de Preços dos Alimentos, que acompanha mensalmente uma cesta de produtos comercializados internacionalmente, registrou média de 133,3 pontos no mês.

Esse é o maior resultado desde novembro de 2022, quando o índice chegou a 135,7 pontos. Apesar da alta, o valor ainda está 16,5% abaixo do recorde histórico de 159,7 pontos, registrado em março de 2022, pouco depois do início da guerra entre Rússia e Ucrânia. Os dois países têm participação importante no mercado internacional de cereais e óleos vegetais.

Para o economista-chefe da FAO, Maximo Torero, a elevação dos preços mostra que os mercados voltaram a incorporar riscos relacionados à oferta de alimentos. Segundo ele, fatores como eventos climáticos extremos, tensões geopolíticas e problemas na logística comercial estão ocorrendo ao mesmo tempo e aumentando a preocupação com a produção mundial.

O cenário climático também pesa sobre a agricultura. O calor intenso e a seca registrados em partes da Europa têm afetado principalmente as lavouras de milho e beterraba sacarina, além de pressionarem a produção pecuária. Na Ásia, outro fator de atenção é o El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Pacífico Equatorial e que pode prejudicar a produção de óleo de palma e açúcar.

As guerras também interferem no abastecimento. A intensificação dos ataques no Mar Negro dificulta o transporte de grãos produzidos na região e destinados à exportação. Ao mesmo tempo, os conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã afetam o fluxo de fertilizantes utilizados na produção agrícola, criando mais um fator de pressão sobre os custos.

A preocupação com a oferta deve continuar nos próximos meses. Em relatório divulgado no mês passado, a FAO reduziu a previsão para a produção mundial de cereais em 2026 para 2,980 bilhões de toneladas. Se a estimativa se confirmar, o volume será 2% menor que o registrado em 2025 e representará a maior queda anual desde 2018.