Agronegócio
Preços mundiais dos alimentos recuam em outubro, aponta relatório da FAO
Queda foi influenciada principalmente pelo barateamento dos cereais, laticínios e carnes
Os preços mundiais dos alimentos apresentaram uma leve retração em outubro, após a alta registrada no mês anterior. O movimento foi impulsionado principalmente pela redução dos valores dos cereais, laticínios e carnes, conforme relatório divulgado nesta sexta-feira (6) pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura).
O Índice de Preços de Alimentos da entidade, que monitora uma cesta de commodities comercializadas internacionalmente, alcançou média de 133,9 pontos em outubro, abaixo dos 135,6 pontos registrados em setembro, após revisão dos dados. Apesar do recuo mensal, o indicador permanece 5,9% acima do patamar observado no mesmo período do ano passado.
Entre os grupos analisados, os cereais apresentaram a queda mais expressiva. O índice recuou 4,5% em relação a setembro e ficou 12,6% abaixo do resultado de outubro de 2025.
A desvalorização foi influenciada principalmente pelo trigo, diante da demanda internacional mais fraca por importações e das perspectivas favoráveis para a produção, especialmente na Argentina. O milho também contribuiu para o movimento de baixa, depois de atingir, em setembro, o maior preço em três anos.
A expectativa de uma oferta abundante na América do Sul, a produção norte-americana e a possibilidade de redução das tensões na região do Mar Negro pressionaram as cotações. Segundo a FAO, as perspectivas de flexibilização das restrições às exportações na região contribuíram para a queda, embora problemas logísticos ainda tenham limitado o recuo.
O índice de preços dos laticínios diminuiu 1,1% em outubro. A redução nas cotações da manteiga e do queijo, associada à oferta elevada e à demanda moderada, superou a valorização registrada pelo leite em pó. No mercado de carnes, a retração foi de 1,2%, com recuos nos preços das proteínas suína, ovina e bovina. Mesmo com a queda, o indicador permaneceu ligeiramente acima do nível registrado um ano antes.
Na direção contrária, os óleos vegetais tiveram valorização de 0,3%. A alta nos preços da soja e do óleo de girassol compensou a desvalorização do óleo de colza.
O açúcar apresentou o movimento mais expressivo de alta. Pelo quarto mês consecutivo, a commodity registrou valorização, desta vez de 6,6%, alcançando o maior patamar desde dezembro de 2024. A interrupção dos trabalhos de colheita no Brasil em razão das chuvas contribuiu para a elevação das cotações.
Com o novo avanço, o açúcar passou a custar 28,8% mais do que no mesmo período do ano passado.
Apesar da redução registrada em outubro, o Índice de Preços de Alimentos da FAO continua distante dos níveis mais baixos dos últimos anos. Ainda assim, permanece 16,4% abaixo do pico histórico alcançado em março de 2022.