A PEC que acaba com a escala 6x1 enfrenta resistência no Senado e pode sofrer alterações antes de avançar na tramitação. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), condicionou o andamento da proposta a uma série de fatores, entre eles uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a definição de um relator alinhado ao debate e mudanças no texto para incorporar sugestões da oposição e do setor empresarial.

Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, uma das alterações defendidas por Alcolumbre nos bastidores é a incorporação de pontos da chamada PEC do Trabalho Flexível, apresentada pela oposição. A proposta prevê a possibilidade de contratação por hora, mediante acordos individuais entre empregadores e trabalhadores, modelo que tem apoio de entidades empresariais.

Outra mudança em discussão seria a manutenção da escala 6x1 para determinados segmentos da economia, especialmente o setor de serviços. A avaliação de Alcolumbre é que eventuais exceções dependeriam de um convencimento da sociedade sobre possíveis impactos econômicos da medida, como aumento de custos e preços.

A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados em maio e prevê a redução da jornada semanal de 44 para 42 horas, além da garantia de dois dias de descanso remunerado por semana. Caso o Senado promova mudanças, o texto precisará retornar à Câmara para nova votação, o que pode dificultar sua aprovação antes das eleições de outubro.

A PEC está parada há cerca de três semanas aguardando encaminhamento à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Além do debate sobre o conteúdo, há divergência sobre quem será o relator da matéria. O presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), defende a indicação de Omar Aziz (PSD-AM), enquanto Alcolumbre prefere um nome considerado mais independente, como Rodrigo Pacheco (PSB-MG).

Outro fator que contribui para a demora é a expectativa de uma reunião entre Alcolumbre e Lula. O encontro ainda não ocorreu por dificuldades de agenda e é considerado fundamental para destravar as negociações.

Nos bastidores, a relação entre o presidente do Senado e o governo federal passa por um momento de desgaste. Alcolumbre tem demonstrado insatisfação com episódios recentes envolvendo o Palácio do Planalto e também com acusações divulgadas nos últimos dias. Em discurso no Senado, ele afirmou que buscará responsabilização judicial contra quem o acusou de ter recebido recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Com o Congresso prestes a entrar em um período de atividades reduzidas por conta das festas juninas, do recesso parlamentar e da proximidade das eleições, a expectativa é que a PEC só avance efetivamente a partir de julho, sem previsão de votação no curto prazo.