Brasil
Governo Lula reúne ministros para discutir baixa adesão ao programa Move Brasil
Presidente pediu levantamento de casos de trabalhadores que tiveram crédito negado e quer discutir dificuldades com bancos responsáveis pelos financiamentos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu nesta quarta-feira (19) ministros e integrantes do governo para discutir a baixa adesão ao Move Brasil, programa que oferece crédito para a compra de veículos por motoristas de aplicativos, taxistas e entregadores.
Participam da reunião no Palácio da Alvorada o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, além de representantes das áreas envolvidas na execução do programa.
Lula já havia demonstrado preocupação com o desempenho inicial da iniciativa e atribuído parte das dificuldades às exigências feitas pelos bancos para a concessão dos financiamentos. Durante um evento em Taboão da Serra (SP), no início do mês, o presidente relatou que trabalhadores interessados no crédito estariam enfrentando obstáculos ao procurar as instituições financeiras.
“Resolvemos liberar dinheiro para financiar motocicleta aos entregadores, carro para Uber e táxi. Uma coisa maravilhosa, uma festa, todo mundo ficou muito feliz. Aí, quando a gente começa a colocar em prática, a coisa não anda”, afirmou.
Segundo Lula, entre as exigências mencionadas pelos trabalhadores estão critérios relacionados ao rating de crédito e ao relacionamento bancário.
O rating é uma avaliação utilizada pelas instituições financeiras para estimar o risco de inadimplência de um cliente. Para chegar à classificação, os bancos consideram fatores como renda, histórico de pagamentos, dívidas, relacionamento com o sistema financeiro e capacidade de assumir novas parcelas.
Guilherme Boulos foi encarregado pelo presidente de acompanhar relatos de trabalhadores que tentaram obter o financiamento e não conseguiram. A orientação foi reunir casos concretos e levar as dificuldades para discussão com a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e representantes das áreas econômica e de planejamento do governo.
Para motoristas de aplicativos e taxistas, o governo anunciou em maio uma linha de até R$ 30 bilhões para financiar a compra de automóveis de até R$ 150 mil. O prazo para pagamento pode chegar a seis anos, com juros reduzidos.
Já o programa destinado a entregadores e motociclistas profissionais possui uma linha específica. No lançamento do Move Brasil Entregadores e Motoapp, em junho, foram anunciados inicialmente R$ 2,5 bilhões para financiar motocicletas, motonetas, ciclomotores e bicicletas elétricas utilizadas como instrumento de trabalho.
A reunião no Alvorada ocorreu horas depois da instalação do Comitê Interministerial de Monitoramento das Ações para Trabalhadores por Aplicativos, no Palácio do Planalto. Boulos participou da cerimônia de criação do colegiado antes de seguir para a residência oficial da Presidência.
O comitê foi criado por uma portaria interministerial publicada em julho e reúne oito órgãos do governo federal. O objetivo é articular e acompanhar políticas voltadas a motoristas, entregadores e outros profissionais que trabalham por meio de plataformas digitais.
A coordenação ficará a cargo do Ministério do Trabalho e Emprego e da Secretaria-Geral da Presidência. Também fazem parte do grupo representantes dos ministérios da Previdência Social, Saúde, Justiça e Segurança Pública, Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Empreendedorismo e Cidades.
Representantes de trabalhadores, sindicatos, pesquisadores, parlamentares, governos estaduais e municipais e empresas poderão ser convidados a participar das discussões.
Entre as atribuições do comitê estão a elaboração de estudos sobre os trabalhadores de aplicativos, a identificação de recursos para políticas públicas e a elaboração de um plano integrado de ações para a categoria.