Brasil
PF diz não haver prova de que jornalista recebeu R$ 100 mil por matérias contra Dino
Relatório aponta que origem e motivo da transferência ainda precisam ser esclarecidos e pede aprofundamento da investigação
A Polícia Federal afirmou que, até o momento, não há elementos suficientes para concluir que o jornalista maranhense Luís Pablo recebeu R$ 100 mil para publicar reportagens contra o ministro Flávio Dino, do STF. A conclusão consta em relatório produzido após investigação envolvendo possíveis fontes do jornalista.
A apuração identificou uma transferência de R$ 100 mil envolvendo Diogo Diniz Lima e Luís Pablo, com o dinheiro depositado na conta de Danilo Cutrim Bezerra. Segundo a PF, porém, ainda não foi possível esclarecer a finalidade do pagamento nem afirmar que o valor tenha relação com matérias jornalísticas.
Os investigadores apontaram que será necessário aprofundar a análise de celulares e outras mídias para descobrir a origem e o motivo da transferência. O relatório também registra que o dinheiro foi usado no pagamento de um imóvel rural de R$ 461 mil quitado por Luís Pablo.
A investigação ganhou força depois de reportagens sobre suposto uso irregular de carros oficiais por Dino e familiares no Maranhão. Luís Pablo já havia sido alvo de busca e apreensão em março.
A PF considera que informações usadas nas reportagens podem ter saído de sistemas oficiais. Nesse caso, eventual violação de sigilo funcional seria atribuída ao agente público responsável pelo acesso e repasse dos dados, e não ao jornalista. O relatório ressalta que Luís Pablo, em tese, está protegido pela liberdade de imprensa.
Na semana passada, uma nova operação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, teve como alvos Raimundo Cutrim, ex-secretário do Maranhão, e Diogo Diniz Lima, advogado e ex-secretário de São Luís. Segundo a PF, os dois seriam fontes de Luís Pablo.
Moraes havia apontado indícios de reportagens pagas contra Dino e de perseguição. O jornalista nega as acusações. Já a PF afirma que as análises feitas até agora não permitem chegar a essa conclusão e que a investigação precisa ser aprofundada.